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14/05/2009

Belém é sufocada em um emaranhado de controles, autorizações e um muro

El País
M. Mora e J. M. Muñoz Em Belém
"É muito difícil convencer um rapaz a aprender inglês, uma língua que pode abrir muitas portas, se depois não pode utilizá-la", lamenta o professor Asad Srour. As portas de Belém estão quase seladas. O refugiado Srour, professor aposentado de inglês, nasceu no campo de Aida em uma tenda de campanha, em 1951. "A história da minha vida foi fazer fila para pedir autorizações. Estudei em Damasco, e tive de pedi-los a Israel, Jordânia e Síria." Agora não dão mais. "Estou há quatro anos sem sair de Belém."

O governo de Belém - 175 mil habitantes, 30 mil deles moradores da capital - se asfixia em um emaranhado de 35 colônias judias, controles militares, um regime de autorizações que Israel concede segundo suas necessidades e o muro de cimento. "O muro significa depressão. Se você não pode ter sua própria terra, que tipo de felicidade posso ter?", aponta Asad Srour.

Continuam confiscando terras; 87% da província de 658 km2 é zona militar fechada, ou totalmente dominada, ou parques naturais impostos pelos governos israelenses, segundo um relatório recente da ONU. A cidade se afoga. Não se pode construir, perdeu-se o acesso às melhores terras de cultivo, a boa parte dos recursos aquíferos e o turismo quase não chega. E quando o faz pernoita em Jerusalém.

"A liberdade não existe", afirma o professor. "A paz é uma ilusão. Não temos nada a oferecer em troca. Não se pode trocar paz por territórios, porque a maioria está sob seu controle. Nossos líderes não têm poder para negociar. Se você não tem nada para oferecer, não pode negociar. Israel não tem nada a ganhar com a paz. São uma comunidade militar desde 1948. Se um país de generais não está em guerra, o que fazem os generais, ficar no escritório?", manifesta.

O sorriso frequente de Srour é amargo, cheio de melancolia e ceticismo: "Os árabes somos frágeis comunicando ideias. Se você juntar Shimon Peres com qualquer de nossos políticos, quem vai convencer mais? Precisamos encontrar grandes pensadores e líderes para fazer entender a dimensão política e econômica de nossa crise."

Que esperança resta ao professor? "Ninguém pode derrotar os palestinos. Vivemos grandes perigos há séculos e aqui continuamos. Os que tentaram conquistar esta terra entenderam que nenhum povo pode ser derrotado."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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