UOL Notícias Internacional
 

15/05/2009

Na fábrica das células-tronco

El País
Rafael Pérez Ybarra Em Madri
Cultivar células-tronco para que possam ser utilizadas depois em tratamentos para determinadas doenças, como medicamentos, já é uma realidade. Na Espanha existem dois centros que conseguiram credenciamento da Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários para produzi-las e há outros que aspiram a isso (a Fundação Genoma Espanha e o Hospital Menino Jesus de Madri desenvolveram uma unidade para promover um teste clínico em tumores metastásicos infantis).

Por enquanto, só um centro público, o Hospital Gregorio Marañón de Madri (HGM), e outro privado, a Clínica Universitária de Navarra (CUN), dispõem de um laboratório de boas práticas na fabricação (GMP na sigla em inglês) em funcionamento dedicado para elaborar produtos de terapia celular, para sua administração ou implantação em pacientes, sob um estrito sistema de garantia de qualidade, compatível com as normas GMP. Cardiologia, urologia, hematologia, oncologia ou dermatologia são algumas das áreas que serão beneficiadas dessas linhas de investigação.

À diferença dos laboratórios da indústria farmacêutica, a produção de células-medicamento é muito reduzida, admite Javier Pérez Calvo, responsável pelo laboratório GMP da CUN. Não há desenvolvimento comercial, e as células são empregadas em pequenos "testes clínicos independentes" com muito poucos pacientes. Por enquanto, no Gregorio Marañón existem várias linhas de pesquisa: em cardiologia, com o implante de células-tronco para a regeneração de corações infartados; em cirurgia plástica, com a introdução de células-tronco derivadas da gordura da mama das pacientes para sua reconstrução e regeneração depois de uma intervenção cirúrgica, e em traumatologia, com o implante de células-tronco na cabeça do fêmur.

Na Clínica Universitária, as linhas de pesquisa se voltam para a regeneração cardíaca em corações infartados, o tratamento da doença vascular periférica, a diabetes ou as vacinas idiotípicas no tratamento de um tipo de linfoma.

Existem dois processos de produção celular em função da manipulação que as células sofrem: um de mínima manipulação em que as células-tronco são extraídas, selecionam e purificam para seu posterior implante no paciente, que pode ser realizado na sala de cirurgia ou em um laboratório anexo. O outro, pelo contrário, exige uma maior manipulação, e são necessários uma infraestrutura e um sistema de qualidade sob as normas GMP para a expansão celular e sua posterior aplicação nos pacientes. Qualquer manipulação das células que altere suas características básicas, explica Pérez Calvo, faz que estas sejam consideradas um medicamento. E, portanto, "se aplica a mesma norma que se exige da indústria farmacêutica para fabricar remédios".

Por isso, as unidades de produção celular, esclarece María Eugenia Fernández Santos, diretora da unidade do Gregorio Marañón, reúnem uma série de requisitos semelhantes aos exigidos de um laboratório farmacêutico. Essas unidades possuem as características de uma "sala branca", isto é, são áreas especificamente destinadas a obter baixos níveis de contaminação, explica.

Mas as normas de fabricação correta não se referem só ao isolamento; como lembra Pérez Calvo, são uma série de obrigações que garantem a segurança do sistema de produção desses medicamentos. "Todo o processo de produção celular se encontra submetido a precisos controles biológicos e citogenéticos de segurança das amostras sob normas de fabricação correta, com a garantia para o paciente de que recebe as células cultivadas e multiplicadas nas condições ideais", explica Fernández Santos.

As células são obtidas do próprio paciente. O tecido do doente é processado, e dele se extraem as células que posteriormente são cultivadas para conseguir um maior número de células-tronco. O cultivo é realizado "digerindo" enzimas ou esmiuçando o tecido até que, uma vez obtidas as células, são postas em cultivo nas condições necessárias de umidade, concentração de dióxido de carbono e de temperatura. Posteriormente são expandidas ou multiplicadas para conseguir o número de células-tronco suficiente para que a terapia seja efetiva segundo exija o teste clínico e a estratégia do implante, e são postas à disposição do pesquisador no suporte que este necessite - seringas, frascos ou bolsas - para seu implante no paciente dentro da sala cirúrgica.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,40
    3,279
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,95
    63.257,36
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host