UOL Notícias Internacional
 

16/05/2009

A preocupação ocidental com o arsenal nuclear do Paquistão

El País
Ángeles Espinosa Em Islamabad

Realidade ou propaganda?

Para especialistas no país asiático, essa inquietação é "mais propaganda que realidade". O Paquistão não assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e mantém em segredo tanto o número de suas armas atômicas quanto os locais onde as guarda, embora se calcule que possa ter entre 60 e cem ogivas nucleares

O recente avanço taleban para Islamabad, a capital paquistanesa, reavivou o temor internacional de que os extremistas possam dominar armas nucleares. Mais que a possibilidade de que tomem o poder, preocupa o risco de que se infiltrem nas instalações em que são fabricadas ou interceptem uma transferência de material que lhes permita elaborar uma "bomba suja". O centro de enriquecimento de urânio de Gadwal está a menos de 100 quilômetros do distrito de Buner, de onde há três semanas o exército paquistanês tenta desalojar os rebeldes. Por isso a França ofereceu cooperação em questões nucleares ao presidente Asif Zardari.

A simples menção de que suas armas nucleares correm o risco de cair nas mãos dos taleban indigna os paquistaneses. "Esse debate começou nos anos 90, muito antes que aparecessem os taleban", lembra Khalid Rahman, diretor do Instituto de Estudos Políticos, uma organização não-governamental. "Então se dizia que o Paquistão não era capaz de garantir a segurança de suas armas nucleares. Depois de 25 anos, foi desmentido." Rahman mostra-se convencido de que a preocupação ocidental em relação ao assunto é "mais propaganda que realidade".

Um artigo recente no jornal "The New York Times" registra a preocupação de vários altos funcionários americanos de que os radicais islâmicos tenham acesso às armas. Mencionaram a possibilidade de que os rebeldes provoquem um incidente que leve o Paquistão a deslocar as armas e alguém de dentro lhes informe os dados que lhes permitam interceptá-las. Outro risco é que algum simpatizante consiga se colocar dentro de uma instalação nuclear.

Saiba mais sobre o Paquistão

  • UOL Mapas

    Natureza do Estado: República parlamentarista
    Capital: Islamabad
    Moeda: Rupia paquistanesa
    Idioma: Urdu (oficial), punjábi, sindi, pashtu, balúchi, pathan e inglês
    Área: 796.095 km²
    População: 164 milhões

"É ridículo", responde o comodoro aposentado e analista militar Tariq Majeed. "Não existe a menor possibilidade de que se aproximem delas." Na opinião dele, a ameaça que os taleban representam não chega a esse ponto. "O Paquistão atravessa uma situação muito difícil por causa dos extremistas, mas trata-se de uma força muito pequena, limitada ao norte do país e que terminará sendo eliminada", acrescenta.

No entanto, os dois reatores de Khushab, a cerca de 200 km ao sul de Islamabad, encontram-se muito perto da Província da Fronteira Noroeste, pela qual a insurgência taleban conseguiu se estender. Alguns observadores também consideram vulnerável a usina de enriquecimento de urânio de Gadwal, a 96 km ao sul de Buner.

O Paquistão não assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e mantém em segredo tanto o número de suas armas atômicas como os locais onde as guarda. Mesmo assim, os especialistas calculam que pode ter entre 60 e cem ogivas.

A responsabilidade formal sobre o arsenal recai na Autoridade de Comando Nacional encabeçada por Zardari e que também inclui os responsáveis militares do serviço secreto. No entanto, existe a convicção de que seu controle real está nas mãos do chefe do Estado-Maior, o general Ashfaq Kayani. Sua custódia corresponde ao Departamento de Planos Estratégicos, dirigido pelo general Khalid Kidwai. Os porta-vozes oficiais sempre negaram que exista alguma vulnerabilidade.

No final de abril, diante das dúvidas manifestadas em vários meios de comunicação internacionais, os chefes do Estado-Maior conjunto emitiram um comunicado chamando-as de "infundadas" e de tentar criar um "alarme desnecessário". O órgão militar máximo paquistanês insistiu nos "robustos controles de custódia e diferentes níveis de proteção que asseguram a infalibilidade da segurança" de seu arsenal. Embora por motivos óbvios não exista informação detalhada sobre em que consistem esses sistemas, ao longo do tempo foram se conhecendo alguns detalhes.

O presidente anterior, general Pervez Musharraf, declarou em 2007 que as armas se encontravam "desmontadas", o que foi interpretado como que as ogivas nucleares são mantidas separadas dos mísseis balísticos encarregados de levá-las a seus eventuais alvos. O general Kidwai, por sua vez, disse que podem ser montadas muito rapidamente em seus sistemas de lançamento. Isso exigiria o transporte dos componentes, um processo em que poderiam ficar vulneráveis. No entanto, seu acesso é protegido por uma série de "cadeados" eletrônicos que os militares paquistaneses consideram suficientemente seguros para que nem extremistas islâmicos nem eventuais sabotadores indianos possam ter acesso a eles.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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