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16/05/2009

Eleições gerais na Índia misturam política e Bollywood

El País
Georgina Higueras Enviada especial a Nova Déli (Índia)
O grande espetáculo das eleições indianas chegou ao fim e no sábado (16 de maio) serão conhecidos os resultados. Deslumbrados com Bollywood (a grande indústria de cinema local que rivaliza em títulos com a americana), os 1,1 bilhão de habitantes desta grande potência emergente vivem seu direito ao voto como um acontecimento, um espetáculo que em alguns casos ajuda a mitigar os problemas econômicos devido à chuva de dinheiro que o processo gera. Os meios de comunicação indianos calculam que os partidos e os candidatos gastaram cerca de 7 bilhões de reais na compra de votos.

A relação entre a política e o cinema na Índia não é nova, mas nestas eleições o peso de atores e celebridades foi maior que em ocasiões anteriores.

Sanjay Dutt, ícone do cinema indiano, condenado a seis anos de prisão por sua conexão com os atentados de Bombaim em 1993, nos quais morreram 275 pessoas, tentou se apresentar candidato por Lucknow, capital do estado de Uttar Pradesh (o mais povoado da Índia, com 175 milhões de habitantes), mas o Tribunal Supremo o impediu há um mês, pois existe uma lei que proíbe que uma pessoa condenada a mais de dois anos concorra em eleições.

O ator se apresentava pelo minúsculo Partido Samajwadi (SP), o único da Índia incluído na Internacional Socialista, e que já conta com a popular atriz Jaya Bachchan na Câmara Alta. A ambição política, como o estrelato, foi herdada por Sanjay Dutt de seu pai, o lendário Sunil Dutt, que em 2004 foi nomeado pelo atual primeiro-ministro, Manmohan Singh, ministro dos Esportes, pasta que exerceu até sua morte no ano seguinte.

Os laços entre Bollywood e a política tomaram corpo em 1984 quando dois ídolos (Amitabh Bachchan e Dilip Kumar) entraram no Parlamento pela mão do Partido do Congresso, formação que, segundo diversos analistas, sairá vencedora nas eleições. A tremenda expansão nestes anos, tanto da indústria do cinema como da televisão, só fez incrementar as conexões, nas quais o dinheiro tem um papel importante.

Não só os artistas interpretam anúncios e documentários solicitados pela máquina da propaganda dos partidos, como também os diretores fazem negócios. Na terça-feira o Ministério das Relações Exteriores e a Comissão Eleitoral participaram da apresentação de um filme de Laxmana Dadmia sobre a tarefa titânica que exige tentar garantir eleições seguras para 714 milhões de eleitores. "Os indianos são muito sensíveis e apaixonados, além de ter consciência política", afirma o ator Karthik Muthuraman, que fundou seu próprio partido, o AINMK, com o qual concorreu a um dos assentos de Tamil Nadu, seu estado natal, no sudeste da Índia.

Sobretudo para os quatro quintos da população que não se beneficiaram do crescimento econômico experimentado pela Índia na última década, votar é mais que uma paixão. "É meu direito", respondeu quase ofendida Chanda Baph, uma professora de 34 anos, quando a jornalista estrangeira lhe perguntou por que ia votar.

Chanda, a única que falava inglês na fila de mulheres que aguardavam a vez em um colégio eleitoral em Amritsar, capital do Estado de Punjab, repetiu sua resposta em panyabi para que as outras a entendessem e, como que acionada por uma mola, toda a fila balançou a cabeça no típico gesto afirmativo indiano, que na Espanha seria negativo.

Com diversas atrizes envolvidas em causas sociais e de defesa da ecologia, o ator e produtor Aamir Khan, depois do clamoroso êxito obtido este ano com o filme "Ghajini", realizou uma fita de um minuto para a televisão na qual pedia "votar na integridade e na boa gente". Segundo Khan, os atentados de Bombaim em novembro "revelaram a necessidade de sermos exigentes com os políticos".

Convencidos de que corrupção e política são a mesma coisa (o comissário eleitoral S.Y. Qureishi reconheceu que continua sendo "muito difícil controlar o poder do dinheiro" nas eleições) e resignados a que o luxo é coisa de filmes (as escavadoras deixaram sem barraco um dos protagonistas do mais que premiado pelo Oscar "Quem Quer Ser um Milionário?"), muitos indianos estão dispostos a votar em suas estrelas preferidas. No entanto, a maioria dos príncipes de Bollywood, segundo a imprensa local, não se deu ao trabalho de ir às urnas.



Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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