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17/05/2009

Feira de San Isidro: Uma divertida falta de vergonha

El País
Antonio Lorca Em Madri
O combate do quarto touro da tarde, do início ao fim, foi uma vergonha; mas uma vergonha divertida. Existem situações que são tão deploráveis que só admitem a vertente humorística. Uns se esgoelam e se lembram da árvore genealógica do presidente, do criador e do empresário, enquanto outros se divertem. O curioso é a rapidez com que se esquece o insulto e renasce a esperança. Para que logo falem da violência desta festa...

Vejam o que aconteceu: esse quarto suposto touro era um novilho nada apresentável, com expressão de gatinho, cara miserável e chifre mirrado. Começam os protestos. Desaba no cavalo e fica evidente sua insuportável invalidez. A queixa se transforma em clamor. Mas o presidente, que é quem o havia aprovado, decide não devolvê-lo. Imaginem o rebuliço.

Mas o melhor ainda estava por vir: contra toda lógica, mas em seu direito, seu matador, António Ferrera, pega os ferros com a intenção de cravá-los, questão que grande parte do público recrimina, com razão, enquanto o resto encara como piada. Ferrera se esquece do mundo e chama o novilhinho, que logo atende, e no momento do "embroque", zás! o derruba. A reprovação já é impressionante. Cuida dele no segundo par, e no terceiro, no "quiebro" junto às tábuas, Ferrera é surpreendido. Depois de cravar, e vendo que o animalzinho era mais do que raquítico, tenta brilhar conduzindo-o para trás; mas o gatinho tinha quatro patas, tirou forças da fraqueza e deixou o toureiro em apuros. Tanto que Ferrera teve de dar a volta e pôr os pés para correr. Ora, ele só não o chifrou porque dois "picadores" fizeram sua defesa. Não se pode confiar nem nos gatos...

Ferrera pegou a "muleta" e o animal voltou a rodar pela arena em dois ou três esboços de passes inconclusos, enquanto gritavam "fora do palco" para o presidente. Uma estocada baixa e assim terminou o crime.

Vergonhoso, sem dúvida; divertido, talvez. Triste, também, muito triste...

Mas a corrida não acabou por aí, muito pelo contrário. A corrida de José Luis Pereda foi uma "mansada" total, como poucas são vistas em uma longa temporada. Para começar, uma apresentação imprópria de tourada de primeira categoria: desde o quarto bezerrinho até os dois últimos bois, e outros três touros que careciam da elegância mínima exigida. Mas mansos até a exaustão. Foi um tremendo esforço levar o quinto ao cavalo, um bronco que, quando notou a ponta da lança, pulou e fugiu apavorado de homens e capotes; o sexto chegou a entrar até quatro vezes, e nas quatro saiu disparado; e assim, em maior ou menor medida, ocorreu com os demais. Todos investiram sem vontade, sem classe e sem firmeza. Uma corrida dada.

O outro problema é que os toureiros atuais não estão preparados para lidar esses touros. Não é culpa deles, não; a festa atual consiste em dar passes para o touro tonto e não prevê a lide do que apresenta dificuldades. Os toureiros de hoje sabem dar passes, com mais ou menos conhecimento, mas não lidar.

Iván Fandiño, um toureiro de Orduña em sua primeira tourada profissional, foi o único da lista de três candidatos que se viu com um primeiro touro que lhe permitiu confiança e a quem deu um par de golpes de muleta, com a mão direita, costurados, ligados e profundos. Esse toureiro tem sabor, e parecia que... mas, o que é isso! Não o feriu, não conseguiu o êxtase, e sua boa performance se diluiu. Passou apuros com o dificílimo sexto, que chegou a lhe dar uma feia cambalhota, e que felizmente só lhe causou uma ferida leve na mão direita. Morenito de Aranda esboçou o toureio "à la verónica" em seu primeiro, ao que deu muitos passes e nenhum bom, e ali andou, com mais vontade que habilidade, com o insosso quinto. E Ferrera cravou "banderillas" em seu primeiro quando o momento já havia passado, no entanto o grande público aplaudiu a valer. Ferrera não se aproximou da plateia, mas sim do lombo do touro, e isso é um truque. O animal chegou muito esgotado no terço final da corrida, e o toureiro lhe deu passes anódinos e o matou com tanta apatia que chegou a espetá-lo seis vezes.

Tudo, como verão, muito divertido, e sobretudo, triste, muito triste...

Tradução: Lana Lim

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