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18/05/2009

América Latina lança plano para combater a desigualdade educacional que impede seu desenvolvimento

El País
Soledad Gallego-Díaz Em Buenos Aires
Quarenta por cento dos jovens e adultos da América Latina, cerca de 110 milhões de pessoas, não terminaram os estudos primários. Só 1% do setor mais pobre da população consegue alcançar o ensino superior. O setor de maior renda recebe uma educação média de 11,4 anos, enquanto o setor mais pobre não chega a 3,1. A importância das extraordinárias desigualdades educacionais que ocorrem na América Latina e a urgência de corrigi-las é o centro do estudo "As Metas Educacionais 2021: Um projeto iberoamericano para transformar a educação", que foi apresentado na última semana em Buenos Aires. O estudo, elaborado por Álvaro Marchesi, secretário-geral da Organização de Estados Iberoamericanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), pretende não só analisar os desafios da situação educacional na América Latina como define metas que serão aprovadas e desenvolvidas pelos governos desses países e que contarão em parte com financiamento espanhol e da União Europeia.

O ministro da Educação da Argentina, Juan Carlos Tedesco, ressaltou exatamente que o projeto Metas 2020-2021 não é como outros planos anteriores, fracassados, porque nesta ocasião inclui mecanismos cooperativos que garantem sua aplicação. O plano, ele lembrou, vai coincidir com a comemoração do bicentenário da independência dos países latino-americanos, e essa é uma ocasião para avançar na construção de sociedades mais justas, que partem necessariamente de uma educação mais justa. "O longo prazo é urgente", ressaltou.

Marchesi, considerado um dos maiores especialistas em educação da América Latina, insistiu que não é possível promover nenhuma mudança que não tenha origem nas raízes da sociedade. "É a que deve dar o impulso necessário", explicou. Metas 2020-2021 leva em conta a diversidade de situações entre países e regiões. "Precisamente porque parte desse conhecimento pode ser um projeto comum", afirmou. "Cada país promoverá a transformação do modelo educacional de acordo com suas próprias lógicas, mas com um programa de ação compartilhado."

O secretário-geral da OEI expôs dados de grande dureza sobre a desigualdade educacional de que sofre o continente e afirmou que a oferta deve concluir estratégias para chegar a todos os cidadãos. As metas prioritárias serão a atenção integral à infância (a mais importante, financiada com fundos de cooperação da UE, segundo o plano que a Espanha apresentará a seus sócios na primeira cúpula que será realizada sob sua presidência de turno), a qualidade da educação, com especial ênfase para os conhecimentos científicos e a educação artística, os ensinos médios e profissionais e os valores cidadãos. A apresentação do documento foi realizada na sede em Buenos Aires da Fundação Santillana, promotora do debate educacional na América Latina.

Emiliano Martínez, patrono da fundação, ressaltou a necessidade de que a educação tenha um papel de destaque no futuro da América Latina e pediu um debate urgente entre profissionais. Ele advertiu que, no entanto, nada será possível sem o interesse público dos cidadãos e sem sua compreensão de que este é um assunto que pode não parecer urgente, mas que é "definitivamente importante".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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