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26/05/2009

Kim Jong-il busca herdeiro para o trono comunista da Coreia do Norte

El País
José Reinoso Em Pequim
Desde agosto passado, quando o líder norte-coreano Kim Jong-il sofreu uma apoplexia, uma pergunta surge cada vez mais forte entre os que acompanham a política do país mais isolado do mundo: quem vai suceder o chamado "querido líder"?

Kim Jong-il ainda pode viver vários anos. Seu pai, Kim Il-sung, de quem recebeu o cetro antes de morrer em 1994, faleceu aos 82 anos, e o atual dirigente tem 67. Mas a doença que sofreu no último verão, unida à diabetes que há algum tempo se suspeita de que sofra, parece ter acelerado os movimentos no tabuleiro para buscar um herdeiro com o qual prolongar a única dinastia comunista do mundo.

Isso explicaria em parte, segundo especialistas sul-coreanos e observadores internacionais, que Pyongyang tenha endurecido sua posição no último ano diante da comunidade internacional, por exemplo, ao lançar em abril passado um míssil balístico de longo alcance, violando as resoluções da ONU, e efetuar na segunda-feira (25) um poderoso teste nuclear subterrâneo.

Kim poderia estar buscando apertar ainda mais o punho de ferro com que dirige o país asiático para conquistar o apoio dos militares e garantir a sucessão por parte de um de seus três filhos ou de seu cunhado. Especialmente porque a penúria econômica pode ter provocado oposição a que um de seus familiares o suceda.

Durante sua viagem à Ásia em fevereiro passado, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, discutiu sem rodeios com seus interlocutores a incerteza sobre o controle do poder na Coreia do Norte depois da doença de Kim.

Pouco se sabe sobre o que acontece no país mais secreto do mundo. Washington e Seul gostariam de ter mais informações do que a que recebem por meio dos serviços de espionagem ou dos norte-coreanos que fogem habitualmente do país. Mas nas últimas semanas ocorreram alguns movimentos que rapidamente foram interpretados como designação do herdeiro.

No mês passado, Kim Jong-un, o filho mais jovem dos três do comandante supremo, passou a fazer parte da Comissão Nacional de Defesa como instrutor de baixo nível, segundo publicaram os meios de comunicação sul-coreanos e japoneses. Daí, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap, está destinado a escalar progressivamente cargos mais altos no órgão que supervisiona o poderoso exército norte-coreano, integrado por 1,2 milhão de soldados. Com um objetivo final: o trono comunista. Kim Jong-un, de 26 anos, estudou sob identidade falsa em uma escola internacional em Berna (Suíça), fala inglês, gosta de basquete e de música ocidental. Diz-se que ele tem capacidade de liderança e se parece e age como seu pai.

O excêntrico dirigente asiático tem outros dois filhos. O mais velho, Kim Jong-nam, 38 anos, foi considerado durante muito tempo seu favorito, até que foi detido no Japão em 2001 usando um passaporte falso da República Dominicana para tentar visitar o parque de atrações Disneyland em Tóquio.

O segundo, Kim Jong-chol, 29, aparentemente não goza das preferências de seu pai. Um antigo cozinheiro do dirigente norte-coreano conta em suas memórias publicadas em 2003 que este considera seu segundo filho "afeminado". Mas o jornal sul-coreano "Dong-a Ilbo" publicou há alguns dias, citando um desertor do norte chamado Kim Duk-hong, que Kim Jong-chol está sendo preparado para governar algum dia, para o que lhe foi atribuído um cargo secreto de alto nível no Partido dos Trabalhadores, e presta contas diretamente a seu pai. O desertor foi assessor do porta-voz parlamentar Hwang Jang-yop, com quem fugiu para o sul em 1997. Hwang é o funcionário do norte de mais alto nível que desertou para o país vizinho.

Enquanto não chega a hora do herdeiro - a maioria das análises aponta o filho menor -, o mandatário poderia recorrer a um "regente". O Parlamento ratificou no mês passado Kim Jong-il como presidente da Comissão Nacional de Defesa - que é integrada por altos comandos militares e do partido -, mas aumentou o número de membros de 9 para 13. Um dos novos assentos foi ocupado por Chang Sung-taek, 53, marido da irmã menor do chamado "querido líder". Sua missão poderia ser tomar as rédeas do poder de maneira transitória caso a saúde de Kim Jong-il se deteriore, e conduzir o filho escolhido até o trono supremo.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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