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26/05/2009

Parentes de políticos proliferam nas listas de candidatos na Argentina

El País
Soledad Gallego-Díaz Em Buenos Aires
As listas eleitorais argentinas costumam apresentar uma característica surpreendente: a quantidade de casais, marido e mulher e todo tipo de parentes, irmãos, cunhados, primos que se dedicam à política ao mesmo tempo, geralmente pelo mesmo partido. É frequente, por exemplo, que as mulheres dos governadores das províncias (nenhuma mulher ocupa esse importante cargo na Argentina) seja membro dos governos provinciais ou tenham acesso a cargos relevantes nos Parlamentos ou fundações regionais que manipulam grandes orçamentos. Nas eleições legislativas do próximo dia 28 de junho há 12 casos, no mínimo, de candidatos que são esposas, filhos, irmãos de personagens políticos ou sindicais em exercício.

A mais conhecida talvez seja Sandra Mendoza, mulher do governador de Chaco, que foi ministra da Saúde de sua região quando se estendeu a epidemia de dengue e ficou famosa recentemente por causa de seu forte caráter: indignada com a sugestão de que se demitisse, bateu seu carro contra vários outros estacionados no pátio oficial. Finalmente, seu marido conseguiu convencê-la a abandonar o ministério, mas lhe encontrou rapidamente outro magnífico cargo político: deputada nacional.

Seu caso é o mais comentado, mas há muitos outros nas chapas eleitorais. Por exemplo, Malena Galmarini, esposa de Sergio Massa, chefe de gabinete da presidente Cristina Fernández Kirchner; Blanca Blanco, mulher do governador de Santa Cruz, ou Alejandra Viejo, mulher do governador de Córdoba. María Elena Chaves, companheira do dirigente peronista da oposição Felipe Solá, se retirou no último minuto, mas não o fez a mulher do dirigente piqueteiro Luis d'Elia, que é candidata, assim como María Barrionuevo, irmã do sindicalista dissidente Luis Barrionuevo.

O caso mais famoso talvez seja o do casal Kirchner. O marido, Néstor, foi presidente da República, cargo que hoje ocupa sua esposa, Cristina, e agora volta a ser candidato a deputado pela província de Buenos Aires. Sem dúvida os Kirchner não são o paradigma, porque nesse caso foi ela quem abriu caminho na política, onde ficou conhecida antes dele. Mais evidente parece ser o caso de Alícia Kirchner, que fez toda a sua carreira à sombra de seu irmão e que é atualmente ministra do Desenvolvimento Social do país.

"Eu diria que na Argentina o grande precedente é o general Perón, que promoveu à política suas duas mulheres, Eva e Isabel", explica Manuel Mora y Araujo, especialista em comunicação política. Mora admite que a presença das mulheres na política através de relações familiares é quase um traço cultural. "Culturalmente as mulheres têm a mesma vocação política que eles, a mesma motivação pelo poder, e quando o marido alcança um cargo político consideram que é mais fácil lançar uma carreira própria." É claro, no mesmo grupo político e ocupando rapidamente cargos relevantes. Como Chiche Duhalde (Hilda Beatriz González) mulher do ex-presidente Eduardo Duhalde, senadora e um dos políticos mais influentes do peronismo.

"Às vezes são os maridos políticos que se casam com mulheres que têm uma boa imagem pública e que querem aproveitá-lo para suas próprias carreiras", sugere Mora. Seria o caso, por exemplo, do governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, casado com uma famosa modelo, Karina Rabolini, que também tem uma conhecida empresa de cosméticos e que em sua condição de primeira-dama da província se transformou em presidente de honra da Fundação Banco Província, que manipula um alto orçamento social.

Não são só mulheres ou irmãs que desenvolvem na Argentina suas carreiras políticas "em casal". Também há diversos irmãos e filhos de políticos e sindicalistas. Pablo, um filho de Hugo Moyano, o chefe da poderosa central sindical peronista CGT, ocupa um importante cargo no sindicato de caminhoneiros controlado por seu pai, e dois outros irmãos dele também têm futuro sindical. E são famosos os irmãos Rodríguez Saá, Adolfo e Alberto, que se sucederam como governadores da pequena província de San Luis.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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