UOL Notícias Internacional
 

28/05/2009

Prudência e paciência diplomáticas são as únicas opções de Obama contra a Coreia do Norte

El País
Antonio Caño Em Washington
Confrontado com uma crise que põe em dúvida sua política de diálogo com os inimigos, Barack Obama se vê com muito poucas opções para conter o desafio nuclear apresentado pela Coreia do Norte. Paciência e prudência são as únicas armas com que, neste momento, o governo americano pode tentar evitar que esse problema degenere em um confronto regional de dimensões catastróficas.

Descartada a opção militar, que nem os conservadores mais ousados recomendam hoje - nem George W. Bush contemplou ao longo de sua presidência -, Obama só pode tentar que a pressão internacional gere dentro do regime de Pyongyang o medo sobre sua sobrevivência, e que a diplomacia com a China permita que esse país se comprometa na contenção da Coreia do Norte.

Não há nenhuma garantia de que essas opções funcionem. Nem Washington dispõe de informação suficiente sobre a evolução interna na Coreia do Norte, nem tem elementos suficientes de pressão para convencer a China a modificar uma política que hoje a beneficia - Pequim prefere que seus rivais estejam entretidos com uma crise diferente de seus próprios problemas territoriais e políticos. Mas paciência e prudência podem servir para ganhar o tempo de que os EUA necessitam para encontrar outras alternativas.

De um lado, como o Pentágono lembrou ontem, o risco que a Coreia do Norte representa não é iminente. O teste nuclear do último fim de semana é só a segunda dessas características em sua história, seus resultados são incertos e a possibilidade de que esse país esteja em condições de montar uma ogiva nuclear em um míssil ainda parece remota.

Por outro lado, é evidente que qualquer ação mais agressiva por parte da Coreia do Norte acarretaria sua própria destruição, e mesmo que não se possa descartar a vontade suicida de seu regime é prematuro antecipar que a situação interna nesse país tenha chegado ao ponto de desespero.

Ainda continua sendo mais provável que a Coreia do Norte utilize os testes nucleares como o que sempre foram: seu principal e único trunfo diante de uma eventual negociação com os EUA.

É verdade, no entanto, que esses testes mantêm em um alto estado de alerta e preocupação os principais aliados americanos na região, Japão e Coreia do Sul, e que representam um certo estímulo para outros países que apreciam o desafio nuclear, particularmente o Irã.

Não podem, portanto, ficar sem resposta. Mas às vezes a melhor resposta não acontece no terreno que o inimigo oferece. "Não se deve fazer o jogo da Coreia do Norte", afirma o colunista especializado Fred Kaplan.

Obama parece inclinado a responder em outros âmbitos. O primeiro foi o das sanções internacionais através da ONU. A maioria dos especialistas concorda que essas sanções não funcionam porque só servem para dar mais fome a um povo faminto, enquanto o regime sobrevive. Mas as sanções servem como mensagem política a Pyongyang sobre a inutilidade de suas ameaças e podem ser, além disso, incrementadas por outras medidas, como o bloqueio de contas dos governantes norte-coreanos - suspenso em 2007 depois de um acordo com Bush -, que atacam concretamente os interesses do sistema.

A segunda e mais importante via de atuação para Washington é através de Pequim. A China é a principal fonte de intercâmbio econômico da Coreia do Norte e seu único aliado político. Sem Jogos Olímpicos no horizonte e uma situação econômica que recomenda não desestabilizar a China, os trunfos de pressão sobre esse país diminuem notavelmente. Mas ao mesmo tempo a China não quer que um aprofundamento da crise na Coreia do Norte encha de refugiados suas fronteiras, nem que o problema norte-coreano provoque uma corrida armamentista entre seus vizinhos, especialmente o Japão.

São todas opções incertas, é verdade. Mas Obama não dispõe de outras neste momento. Sua autoridade pode estar ameaçada nesta crise, mas autoridade também se ganha através da contenção, e os resultados às vezes vêm em longo prazo.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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