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29/05/2009

Guatemala se ilude

El País
Editorial do El País
A investigação de um crime de que é acusado o presidente deve ir até o fundo

A transmissão do vídeo em que o advogado Rodrigo Rosenberg anunciava de maneira póstuma seu assassinato e culpava pelo mesmo o presidente da Guatemala, Álvaro Colom, sua mulher e o secretário particular do presidente provocou um cataclismo no país centro-americano. Poucas horas antes que a filmagem fosse transmitida pela televisão, em 10 de maio, o prestigioso letrado foi assassinado a tiros na capital da Guatemala enquanto passeava de bicicleta. Na denúncia pré-gravada de seu assassinato, Rosenberg o relaciona a um crime ocorrido um mês antes - no qual morreram seu amigo e cliente Khalil Mussa, empresário têxtil e ex-presidente da Câmara da Indústria, e sua filha -, e explica que por trás das mortes, incluindo a sua, há uma trama de corrupção e lavagem de dinheiro ligada ao Banrural, a principal entidade bancária do país, de capital misto.

Até o momento não há provas independentes que confirmem a culpabilidade do presidente, mas a denúncia de Rosenberg despertou fortes dúvidas sobre sua credibilidade, não só nas forças da oposição como também em dezenas de milhares de guatemaltecos que saíram à rua para exigir sua demissão. Não seria uma medida oportuna neste momento, já que enfraqueceria ainda mais a frágil consistência de um estado de direito que não em vão tem por trás de si a terrível história de uma crua guerra civil que durou mais de 30 anos, até 1996.

A devastadora ressaca da contenda fratricida permitiu uma profunda incrustação nas estruturas do poder público e privado do narcotráfico, fonte de emprego de muitos dos sobreviventes do conflito. Uma de suas consequências é que a Guatemala é hoje um dos países do mundo onde ocorrem mais mortes violentas.

Colom conta com apoio ao governo constitucional de numerosas instâncias internacionais. Mas mais que atribuir a acusação de Rosenberg a uma conspiração e de se reunir com o promotor geral que deverá conduzir o caso, como fez em um primeiro momento, o presidente deveria cuidar para que a investigação chegue ao fundo e que esses crimes execráveis não façam parte dos 98% que ficam sem resolver todos os anos em seu país. A colaboração do promotor espanhol Carlos Castresana à frente da Comissão Internacional contra a Impunidade da Guatemala, deve contar com todas as garantias e facilidades. Não só está em jogo a honra do presidente como a viabilidade de seu país como Estado democrático.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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