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29/05/2009

"Logo os policiais vão abrir caminho para os gays", diz ativista russo

El País
Rodrigo Fernández
Alguém que tope com ele na rua nunca pensará que este jovem, de terno e gravata com cara de bom menino, é o mesmo que provoca as autoridades moscovitas e as leva a mobilizar milhares de policiais, em seu empenho para impedir a parada gay que ele anuncia todos os anos, desde 2006.

Nikolai Alexéyev, 31, líder da defesa dos direitos das minorias sexuais, me encontra na praça Novopúshkinski, no centro de Moscou, diante da estátua do grande poeta Alexander Púshkin, zona que há alguns dias foi bloqueada pelas forças policiais de elite a fim de impedir, pelo quarto ano consecutivo, o desfile do orgulho gay. Que, além disso, desta vez coincide com o magnetismo da competição musical Eurovision. Aqui se encontra o Fidelio, com uma entrada muito modesta, atrás da qual se esconde, no porão, um ótimo restaurante italiano.

Música suave de fundo, sofás macios. Alexéyev compartilha seu otimismo sobre o futuro de sua luta enquanto recomenda alguns pratos que já provou. "Desta vez os policiais gritavam pelo megafone: 'Circulando, senhores, circulando, não vai ter nenhuma marcha gay', mas tenho certeza de que dentro de 10 anos esses mesmos policiais dirão: 'Cheguem para o lado, senhores, por favor, abram caminho para a parada gay'".

Para Alexéyev, a evolução positiva é evidente na Rússia. "Se em 2006 diziam que os gays não tinham direito a nada, que deviam ser presos, enforcados e mortos, hoje o discurso é outro: 'Que levem sua vida de sempre, em casa, em seus clubes e discotecas, mas que não organizem marchas'".

A atividade homófoba dos ortodoxos também diminuiu; se no primeiro ano cerca de mil extremistas saíram às ruas para confrontar os homossexuais que participavam da manifestação, desta vez foram menos de cem, diz ele, enquanto ataca sua rúcula e parmesão. Paradoxalmente, lhe parece um progresso que, desta vez, a polícia tenha investido contra os extremistas ortodoxos que os castigam tão duramente quanto contra os gays. "Detiveram com violência esses extremistas, que achavam ter carta branca para nos atacar; foi uma surpresa e um duro golpe para eles".

Enquanto esperamos o filé ao balsâmico, ele confessa seu amor pela Espanha. Passou alguns dias em Barcelona com seu parceiro, um suíço. "Sou a única figura pública que vive oficialmente em matrimônio com um parceiro do mesmo sexo", diz, com orgulho. Eles se casaram em setembro em Genebra.

A organização que ele dirige, Gay Russia (www.gayrussia.ru), está em campanha para conseguir o direito ao matrimônio gay. No âmbito dessa campanha, um casal de lésbicas tentou se casar em Moscou, mas seu pedido foi negado. Recorreram aos tribunais e Alexéyev conta que, além disso, o casal em questão formalizará seu matrimônio este verão no Canadá para logo tentar legalizá-lo em Moscou.

Alexéyev recusa sobremesa e café e, enquanto termina sua cerveja Staropramen, reconhece que há muitos gays na Rússia que preferem não lutar. Ele não concorda: "Tem que ser corajoso e sair às ruas para lutar por seus direitos". Como mostra a prática estrangeira, essa é a única maneira de fazer as coisas mudarem.

Tradução: Lana Lim

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