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29/05/2009

Opinião - Desafio a Obama

El País
Carlos Mendo
Na teoria, a Coreia do Norte desafiou a legalidade internacional, como os líderes mundiais se apressaram a qualificar, com maior ou menor intensidade, segundo seus interesses nacionais, a segunda explosão nuclear em menos de três anos realizada na última segunda-feira (25) pela Coreia do Norte, seguida pelo lançamento de vários mísseis de curto alcance terra-mar e terra-ar na direção do mar do Japão.

Na prática, a chantagem do ditador norte-coreano Kim Jong-il tem um destinatário direto: Barack Hussein Obama e sua política de mão estendida para os até agora inimigos declarados dos EUA. Uma política cujos resultados até agora foram escassos, para não dizer nulos.

No mesmo dia da explosão nuclear coreana, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, rejeitou a última oferta ocidental para congelar a produção de urânio em troca de substanciais benefícios econômicos, e a única coisa que ofereceu ao presidente americano foi um debate na ONU para comparar suas posições. Em todo caso, não convém ter ilusões sobre uma possível mudança na presidência do Irã depois das eleições deste verão. Todos os candidatos e o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, apoiam a continuação do programa nuclear iraniano.

Mas a Coreia do Norte e as decisões de seu "querido líder" exigem a imediata atenção de Obama e vão pôr à prova sua capacidade de liderança dentro e fora dos EUA. Serão conhecidos por suas obras, e Kim está tensionando a corda como já fez várias vezes no passado, para testar até onde chega a reação de Washington. Sua decisão de anteontem de se retirar do armistício de 1953, que pôs fim à Guerra da Coreia, restabelecendo "o estado de guerra na península coreana", pode parecer alarmante, mas segundo os analistas internacionais não representa perigo imediato.

Até o momento, e apesar das ameaçadoras palavras de Pyongyang, típicas de toda ditadura comunista, o exército norte-coreano, o quarto do mundo em potencial humano (1,2 milhão de efetivos em uma população de 23 milhões), não realizou o menor movimento de tropas nas proximidades da zona desmilitarizada de 240 km que separa as duas Coreias ao longo do paralelo 38, segundo constatou na quarta-feira (27) a correspondente da CNN no Pentágono.

A desculpa oficial para esta última parafernália oral bélica por parte da ditadura stalinista norte-coreana foi a decisão de Seul, anunciada pouco depois de se conhecer a explosão atômica norte-coreana, de se transformar no 95º país a aderir à Iniciativa de Segurança de Proliferação, uma medida proposta em 2003 pelo governo Bush e que tenta impedir o tráfego marítimo de materiais e componentes nucleares. A iniciativa é apoiada por cerca de uma centena de países, entre eles, além dos EUA, Rússia, Reino Unido, França e Israel, mas não outros Estados nucleares como China, Índia e Paquistão.

A reação de Obama foi a mais enérgica desde sua chegada à Casa Branca. Os termos "violação descarada da legalidade internacional", "enfrentaremos juntos" o desafio e outros semelhantes não são correntes na linguagem utilizada até agora pelo presidente americano no enfoque dos problemas de política externa. Obama percebe a chantagem a que quer submetê-lo Kim, para quem as condenações da ONU são apenas um argumento para demonstrar a seus súditos as maldades do capitalismo, representado pelos EUA, Japão e Coreia do Sul.

Sabe que, descartada uma ação militar direta como a que tentou, mas não materializou, Clinton em 1994, o ditador norte-coreano tem todas as cartas a seu favor enquanto continuar contando com o beneplácito da China, a quem deve sua subsistência diária. Pequim fornece a Pyongyang 75% de suas necessidades energéticas e, embora se "oponha" ao programa nuclear norte-coreano - este foi o verbo utilizado no Conselho de Segurança para não usar o mais contundente de "condenar" - não quer ainda falar de uma desestabilização do regime de seu repulsivo protegido por duas razões principais.

A primeira porque não deseja, como ocorreu na última penúria, a emigração de dezenas de milhares de norte-coreanos para território chinês. A segunda porque uma queda do regime norte-coreano representaria a reunificação da península coreana sob um regime democrático, uma perspectiva que não causa exatamente grande entusiasmo em Pequim. A chave portanto está na atitude futura da China e é para o gigante asiático que o presidente Obama deve dirigir seus esforços, se quiser que sua política de firmeza diante de Pyongyang tenha algum êxito.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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