UOL Notícias Internacional
 

30/05/2009

Cuba lança campanha para combater o "televeneno" das antenas parabólicas ilegais

El País
Mauricio Vicent Em Havana
As autoridades cubanas já apreenderam este ano 150 aparelhos de televisão via satélite em aeroportos da ilha. A eles se devem somar as centenas de antenas parabólicas clandestinas desmontadas pela polícia durante as repetidas batidas "contra o cabo" realizadas em Havana. O objetivo desse empenho, acaba de admitir o jornal "Granma", é eliminar o "veneno" de alguns canais de televisão estrangeiros, "que se esmeram em tergiversar a realidade cubana com a finalidade de criar confusão, descontentamento e pessimismo na população".

O órgão oficial do Partido Comunista de Cuba publicou na quinta-feira um artigo em que relata as invenções de alguns cubanos para introduzir na ilha dispositivos e equipamentos com os quais se pode captar a programação da Direct TV e da Dish, muito populares nos EUA e na América Latina. Segundo o jornal, um dos criativos disfarçou o disco da antena como "enfeite frutal", com maçãs e outros produtos agrícolas, como se fosse "um centro de mesa". Descoberto nas alfândegas, lhe impuseram uma multa de 500 pesos conversíveis, equivalentes a cerca de R$ 1.000. O "Granma" justifica a perseguição com o argumento de que "a programação oferecida [ pela televisão por satélite] transforma em transcendental o fato mais banal" e "em nada contribui para a identidade nacional". "O único beneficiário é o império, que satisfaz seu apetite de engano e dominação", conclui.

Para as autoridades, "enfrentar o negócio suculento da pirataria e distribuição dos sinais de televisão via satélite é uma questão de honra". Na rua, porém, o critério é outro... "Conseguir uma antena é o único modo de escapar à amarra da televisão cubana, que quer nos condenar à pureza ideológica", brinca Juan, um universitário que possui em sua casa a desejada parabólica. As antenas ilegais de Direct TV e Dish são a única alternativa à televisão oficial, que conta com quatro canais nacionais controlados pelo governo. Sua programação está tão politizada e é de tão baixa qualidade que foi duramente criticada por intelectuais cubanos durante um congresso de escritores e artistas realizado no ano passado.

Não é segredo que em Havana há muita gente com poder aquisitivo que conseguiu antenas clandestinas - calcula-se em dezenas de milhares as que estão funcionando na ilha. Adquirir o equipamento ilegalmente na ilha custa cerca de R$ 1.900, e o serviço custa aproximadamente R$ 80 mensais. Como as parabólicas são pequenas e podem ser colocadas dentro de casa, as pessoas as camuflam dentro de caixas d'água, atrás de árvores ou em qualquer lugar que imaginem.

Em alguns bairros da capital os proprietários de parabólicas inventaram o negócio de dar conexão a seus vizinhos através de uma rede de cabos que podem unir 20 residências ou mais, pelo módico preço de R$ 20 mensais por receptor. Os servidores mais sofisticados chegaram a enterrar os cabos coaxiais para que não sejam detectados pela polícia, que periodicamente realiza batidas espetaculares pelos telhados em busca de antenas.

Yorisvel, um usuário, comenta que o dono da parabólica que ele vê põe "os telejornais dos canais de Miami, programas de entretenimento e filmes". São exatamente esses canais, e a Televisión Martí, os que mais incomodam o governo. Cuty, um pintor cubano, comenta: "Eu não tenho antena, mas creio que sou capaz de resistir estoicamente a esse veneno, descobrir as sombras do capitalismo e conservar-me impoluto diante desses tentadores seriados estrangeiros".

"Fiquem tranquilos: não cairei no engano daqueles que pretendem 'subverter a ordem e tergiversar' a realidade de meu país", ele afirma.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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