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30/05/2009

Rival de Ahmadinejad promete negociar questão nuclear se for eleito

El País
Ángeles Espinosa Em Teerã
O principal rival de Mahmud Ahmadinejad nas eleições presidenciais iranianas de 12 de junho disse na sexta-feira (29) que se for eleito está disposto a sentar-se para negociar sobre o programa nuclear iraniano com as potências ocidentais. As palavras de Mir-Hossein Musavi contradizem formalmente o atual presidente, que na última segunda-feira descartou a necessidade de novas conversas com o chamado G6 (EUA, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha).

Eleições no Irã

  • AFP

    O ex-premiê iraniano Mir Hossein Musavi, considerado um conservador moderado e apoiado pelos reformistas,é candidato às eleições presidenciais de 12 de junho.

    Musavi, 68, um político discreto, que se define como um reformista que respeita os princípios da revolução islâmica de 1979, retorna ao cenário político após uma ausência de 20 anos.

    O ex-premiê foi nomeado em 1981, um ano depois do ataque ao Irã por parte do Iraque, e sempre teve o apoio do fundador da revolução islâmica, o aiatolá Khomeini.

    Atualmente, Musavi é apoiado pelo ex-presidente reformista Mohammad Khatami e pelos principais partidos do campo reformista.

"Se eu for eleito presidente do Irã, continuarei o diálogo com o G6", declarou Musavi durante uma entrevista coletiva. O candidato ridicularizou a política externa de Ahmadinejad em uma tentativa de atrair os votos dos setores reformistas. Mas não está claro se o chefe do governo tem a capacidade para decidir sobre uma questão que, segundo a Constituição iraniana, é competência do líder supremo, um cargo não-eleito que atualmente é ocupado pelo aiatolá Ali Khamenei.

De fato, a rede via satélite Press TV, que depende diretamente do gabinete do líder, explicou em seu site as palavras de Musavi salientando no título que "rejeita o compromisso". Com efeito, o candidato também declarou que "o Irã nunca comprometerá seu direito a desenvolver a tecnologia nuclear". Nesse ponto existe consenso entre as elites que governam o Irã. Durante seu mandato, Ahmadinejad transformou o programa atômico em uma questão de orgulho nacional.

"Não abandonaremos nosso direito à tecnologia nuclear, mas estamos dispostos a dar garantias de que não pretendemos fabricar armas", explicou Musavi.

Depois de duas décadas de desenvolvimento secreto, a comunidade internacional suspeita que o objetivo de Teerã é ter armas nucleares. Os porta-vozes iranianos insistem que só desejam produzir eletricidade, mas se recusaram a suspender o enriquecimento de urânio, que pode ser utilizado tanto com caráter civil quanto militar. Em abril o G6 convidou o Irã a voltar à mesa de diálogo, mas as palavras de Ahmadinejad na segunda-feira representaram um balde de água fria.

Embora Barack Obama tenha estendido a mão para a república islâmica depois de sua chegada ao poder, em janeiro passado, Teerã evitou dar uma resposta clara. Como resultado, tanto dentro como fora dos EUA estão aumentando as pressões para que o presidente americano atue antes que seja tarde demais. Na semana passada Obama deu um prazo para sua oferta de diálogo ao afirmar que esperava ver um avanço sério antes do fim do ano. Washington e Teerã romperam relações devido à revolução islâmica de 1979, e as tensões entre os dois países aumentaram desde que Ahmadinejad chegou a presidência em 2005.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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