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31/05/2009

Apogeu das quadrilhas e a necessidade de autodefesa fizeram disparar o contrabando de armas

El País
Javier Lafuente e Fernando Gualdoni Em Madri
O fato de a importação de armas na América Latina ter crescido 16% em 12 anos não se deve somente à corrida armamentista que, por outro lado, todos os governos negam. Há milhares de pessoas que se blindam diariamente. Para defender sua vida e a de seus parentes, suas propriedades. Mas também para praticar o crime. O Latinobarómetro do ano passado reflete a insegurança que sofrem os habitantes da região, para os quais o crime é o principal problema de seus países, acima do desemprego.

A violência é uma pandemia que percorre a região de norte a sul há décadas. Se no México o narcotráfico é o caldo de cultivo da insegurança civil, na América Central os crimes das "maras" provocam uma grande quantidade de mortos. A probabilidade de que um jovem entre 15 e 24 anos seja assassinado em El Salvador ou na Guatemala é 30 vezes maior que a de um europeu, segundo um estudo da Rede de Informação Tecnológica Latino-americana. No caso dos primeiros, o índice de crimes juvenis é de 92,2 para 100 mil habitantes.

Segundo se desce pelo mapa, a violência continua inexorável em muitos países, embora já não tão associada às quadrilhas. Na Venezuela calcula-se que os homicídios entre 2007 e 2008 aumentaram 11% e triplicaram em dez anos.

A Colômbia, assolada pelo narcotráfico, e o Brasil são os outros dois lugares mais violentos da região, e ao mesmo tempo onde se registraram as primeiras experiências positivas de desarmamento da sociedade. A gestão do Estado de São Paulo é um exemplo. Graças à melhora nos transportes públicos, à implantação de programas sociais e à maior oferta de trabalho em áreas onde a violência era permanente, entre 1999 e 2004 o índice de homicídios diminuiu 41%. No Rio de Janeiro, a ONG Viva Rio implantou programas de entrega de armas em troca de algum benefício para seu portador. Um trabalho semelhante ao que realizou a prefeitura de Bogotá há uma década, ao desenvolver no Natal o projeto Presentes por Armas, que conseguiu um declínio dos homicídios de quase 30%.

Combater o crime e a violência não é simples. Há um componente histórico enquistado na sociedade que já impregnou várias gerações. "Ditaduras, guerras civis, grupos armados... a violência na política das últimas décadas ficou como um legado que influi nas relações sociais", explica Laura Tudesco, pesquisadora da Fundação para as Relações Internacionais e o Diálogo Externo (Fride).

A relação entre o crime urbano e as condições extremas em que vivem 230 milhões de pessoas que são qualificadas como pobres ou indigentes na região também explicam a demanda da sociedade por armas. "O que antes poderia ser considerado a cultura da pobreza está cada vez mais relacionada à violência, à marginalidade e à hostilidade", acrescenta. Mais culpada é a atitude dos governos diante desse panorama. O controle exercido sobre o tráfico é praticamente nulo. "As indústrias têm relações muito fortes com os governos. Muitas vezes são os próprios governos. O Estado deve dar mais segurança, tentar limitar a proliferação de armas", diz Diego Fleitas, da Associação de Políticas Públicas argentina, autor de um recente relatório sobre o tráfico de armas na região.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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