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01/06/2009

A mulher que vende a "marca Obama"

El País
Yolanda Monge Em Washington
Ela se diz "os olhos e ouvidos" de Michelle Obama, a quem conheceu há mais de 20 anos por meio de seu hoje ex-marido, John Rogers. E range os dentes quando alguém a define como "a mulher que organiza as festas" da Casa Branca. Bom, que ela organiza festas é certo. Que as organiza bem também é verdade. Mas que ela considera que seu trabalho vai além de escolher a cor das flores, decidir se a sobremesa será torta de chocolate ou tiramissu, ou que banda vai tocar no jantar dos governadores também é um fato declarado pela própria Desirée Glapion Rogers, que ainda usa seu nome de casada.

A secretária social da Casa Branca pretende algo mais do que dar bons jantares. Sua missão é transformar a presidência de Obama num produto mais conhecido do que a Coca-Cola. E, segundo ela, isso é possível: "Temos a melhor marca que existe sobre a terra: a marca Obama". Dito isso, Rogers colocou sua mercadoria para trabalhar de acordo com a orientação dada pelos Obama: abrir a Casa Branca ao público, transformar a residência presidencial na "casa de todos os americanos".

Assim, o número 1.600 da avenida Pensilvânia - que esteve quase morto durante a época de Bush - hoje tem mais vida do que nunca; está mais na moda do que quando os Reagan a ocuparam; é mais multicultural do que durante o governo Clinton, e muito mais acessível que ao longo do reinado dos Kennedy. E tudo graças à atuação dessa mulher de negócios pós-graduada em Harvard que, segundo afirmou a revista Vogue em 2004, era a prova viva de que "o chique e o executivo podiam coexistir em paz".

Maravilhosa, acessível, inteligente, divertida, próxima... Pensem qualquer adjetivo na mesma linha e todos se encaixam com Desirée Rogers, dizem seus amigos, desde os mais íntimos até os casuais. Como aqueles que ficaram encantados com seu talento por trás da organização do jantar dos governadores, quando alguns dos homens mais sérios do país acabaram fazendo fila e dançando conga ao som da banda Earth, Wind & Fire, de Chicago (se Martha Washington levantasse a cabeça...).

"As pessoas se sentem à vontade nos eventos organizados por Desirée", diz Valerie Jarret, conselheira da Casa Branca e amiga íntima dos Obama. "E não se pode esquecer que quando você agarrou a cintura de alguém para dançar conga na noite anterior, é muito difícil discutir politicamente no dia seguinte".

Assim é Rogers. Ela aproxima as pessoas e tenta transformar a Casa Branca em apenas mais um lar americano. Por isso tingiu de verde a fonte do jardim no dia de Saint Patrick. Por isso montou um quarto cheio de videogames Nintendo Wii para as crianças no dia da festa de celebração do Super Bowl. Por isso - e pela primeira vez - tornou acessível a todos a tradicional busca de ovos de Páscoa nos jardins da Casa Branca, ao colocar as pistas na internet e não escondê-las na residência presidencial, o que limitava a participação de muitos. E por isso, ainda que a assessoria de imprensa tente negar, Desirée Rogers colocou a primeira dama para cavar uma horta orgânica na casa do homem mais poderoso do planeta no dia seguinte ao que ficaram sabendo que os executivos das empresas em falência, que haviam colocado milhões de pessoas nas ruas e acabado com as poupanças de outras tantas, tinham recebido bônus substanciais com dinheiro dos contribuintes, para a grande irritação dos cidadãos comuns. Mas ali estava Michelle Obama plantando seus tomates, como uma fazendeira do Kansas.

Apesar dos muitos anos que viveu em Chicago, seu sotaque a denuncia. Nascida em Nova Orleans (Louisiana), Desirée Glapion Rogers teve por avó paterna Marie Laveau Glapion, uma sacerdotisa de vodu, de origem creole, e como avó materna Marie Smith, conhecida como Big Mama, de quem ela herdou o estilo. Dizem que a avó se vestia com as cores mais brilhantes e os chapéus mais espetaculares que encontrava para ir à igreja aos domingos.

Rogers fará 50 anos no mês que vem - sobreviveu a um câncer de mama que fez com que ela passasse várias vezes pela sala de cirurgia em 2003 -, mas os que trabalham com ela, talvez porque ela seja a chefe, talvez porque na verdade acreditem nisso, dizem que ela "aparenta ter dez anos a menos". O caso é que Lady Luck, como alguns jornalistas se referiram a ela depois de sua passagem pela direção das apostas estatais na Loteria de Illinois antes de aterrissar na Casa Branca, mantém o mesmo sorriso jovial e perspicaz da época em que foi, por dois anos consecutivos, a rainha do carro alegórico Zulu no famoso Mardi Gras de Nova Orleans.

Mas o sorriso se desvanece com a menção do "Camelot negro" sobre o qual às vezes falam as revistas - os Obama evocam John e Jacqueline Kennedy e Camelot [termo cunhado por Jackie Kennedy], como uma época tocada por uma felicidade mística onde tudo parecia possível.- "Esta presidência nem duplica nem copia", assegura Rogers. "Os Obama têm seu estilo próprio". Aí está Desirée Rogers para demonstrá-lo.

Tradução: Eloise De Vylder

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