UOL Notícias Internacional
 

02/06/2009

Cuba e EUA retomam diálogo sobre questões migratórias

El País
Antonio Caño Em Washington
O governo cubano aceitou o convite dos EUA para retomar as negociações sobre assuntos migratórios e estabelecer um sistema de correio direto entre este país e a ilha, o que pode ser o primeiro passo de um processo de normalização das relações no qual Barack Obama apostou desde o primeiro dia de seu governo.

A decisão do governo cubano, comunicada no sábado através de uma nota oficial enviada às autoridades americanas, foi recebida em Washington como "um gesto positivo na direção certa", segundo informou no domingo um porta-voz do Departamento de Estado.

Essa fonte não explicou quando nem onde ocorrerão essas negociações, mas manifestou que estas poderão eventualmente abordar outros assuntos de interesse comum, como a luta contra o narcotráfico e a ajuda mútua em casos de catástrofes naturais como os furacões, muito frequentes em Cuba.

EUA e Cuba mantiveram de forma permanente conversações sobre assuntos migratórios desde 1994, quando uma onda maciça de refugiados procedentes da ilha provocou um sério problema de segurança nas costas da Flórida, o destino habitual dos que fogem de Cuba em embarcações precárias.

Essas conversas se prolongaram com poucos resultados até que o presidente George W. Bush decidiu interrompê-las em 2003, em represália pela deterioração da situação dos direitos humanos no país vizinho. Sua retomada agora, mais que o valor estratégico que essas negociações têm em si, representa uma prova de que ambos os governos parecem decididos a avançar para a solução de um conflito que se estende há quase meio século.

Essa impressão é reforçada pela decisão de se permitir um serviço postal direto, evitando a prática de várias décadas de que todo o correio tivesse de ser enviado através de outros países. Essa medida, que fazia parte do embargo econômico imposto pelos EUA à ilha, referenda a vontade de Obama de melhorar as comunicações e os contatos humanitários entre os dois países.

É sintomático que esses progressos ocorram às vésperas da assembléia da Organização de Estados Americanos (OEA) na próxima terça-feira em Honduras, na qual vários países da região estão decididos a propor a reincorporação de Cuba.

Washington se opõe a dar esse passo por enquanto, mas parece disposto a aceitar a eliminação da cláusula pela qual Cuba foi excluída em 1963, em troca de um compromisso de que o governo de Havana só será readmitido quando cumprir os princípios estabelecidos na Carta Democrática da OEA.

"Não tem sentido que Cuba faça parte de uma organização cujos princípios não respeita, e nós nos oporemos", advertiu na semana passada a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que participará da reunião em Honduras. O governo tenta assim também evitar a pressão de vários membros influentes do Congresso que ameaçaram inclusive suspender a contribuição americana à OEA (mais de 60% de seu orçamento) se Cuba for readmitida.

Washington quer ver antes algum gesto a mais por parte de Havana, e a retomada do diálogo direto entre os dois países parece ser a previsão de que esses gestos virão paulatinamente.

Obama admitiu em declarações passadas - especialmente durante sua recente participação da Cúpula das Américas - que não esperava que as mudanças em Cuba ocorressem "da noite para o dia". Mas precisa obter alguns resultados em sua tentativa negociadora para que sua política, iniciada com a suspensão dos limites para viagens à ilha dos americanos de origem cubana, tenha respaldo dentro dos EUA.

Por enquanto, a intensificação dos contatos de tipo humanitário encontra um apoio maciço entre a população da Flórida, onde o voto cubano é vital em todas as eleições, mas desperta algumas reticências no Congresso, onde gostariam de ver com mais clareza que a meta dessa política é a plena democratização de Cuba.

Segundo o critério dos responsáveis americanos, a situação atual dentro de Cuba é mais favorável para a obtenção desse objetivo. Apesar de algumas declarações contraditórias, Washington vê Raúl Castro muito mais inclinado a um entendimento do que seu irmão Fidel. Ao mesmo tempo, acredita-se que a influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, sobre Havana foi reduzida nos últimos meses, tanto pelos problemas econômicos da Venezuela como pelo contrapeso que a popularidade de Obama exerce sobre o populismo de Chávez.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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