UOL Notícias Internacional
 

03/06/2009

Filha de Raúl Castro defende direito a mudança de sexo em Cuba

El País
Mauricio Vicent
Em Havana
A filha de Raúl lidera a ruptura do moralismo comunista


Poucos dias após o primeiro desfile contra a homofobia pelas ruas de Havana, Cuba deu mais um passo na aceitação da diversidade sexual ao voltar a permitir a realização de cirurgias de mudança de sexo. Esse tipo de operação foi suspenso em 1988, depois de uma primeira cirurgia bem-sucedida que transformou um jovem em mulher, e que causou grande comoção na ilha. Segundo dados do Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex), dirigido por Mariela Castro, em Cuba há 100 casos sob análise: entre eles, 28 são transexuais confirmados e 19 estão prontos para submeterem-se à operação cirúrgica.

  • AFP

    Mariela (centro) participa de desfile contra a homofobia pelas ruas de Havana, em Cuba

Mariela Castro é filha do presidente cubano, Raúl Castro, e sobrinha de Fidel, fundadores de uma revolução que nos anos 1960 internou os homossexuais em campos de trabalho militarizados. Até há pouco tempo, muitos gays e lésbicas foram perseguidos e marginalizados, e por isso a liderança de Mariela em defesa dos direitos das minorias sexuais é muito simbólica, além de representar uma garantia.

Foi ela quem, na semana passada, anunciou na televisão que já haviam sido retomadas as "cirurgias feminilizantes e masculinizantes com vistas a fazer a redesignação sexual completa". A permissão para a realização de tais intervenções foi outorgada um ano atrás pelo Ministério da Saúde. Então Mariela Castro anunciou que se estava preparando uma equipe médica, com ajuda de especialistas belgas, na técnica para realizar as operações. Desde então nada se soube, até o dia 26 de maio, quando a filha do presidente cubano, ao participar do Primeiro Congresso Internacional de Reprodução Assistida, deu por certa a retomada das cirurgias de mudança de sexo e defendeu o direito dos casais de lésbicas de serem incluídas nos programas de reprodução assistida.

As operações de mudança de sexo em Cuba são gratuitas e devem ser aprovadas por uma comissão multidisciplinária composta por psicólogos, médicos e diversos especialistas, que fazem um acompanhamento rigoroso dos solicitantes. Tão rigoroso, que a média de tempo para aprovar um caso é de dois anos, algo que provocou queixas de alguns transexuais.

"Há momentos em que acho que vamos muito rápido, e outros em que vamos muito devagar", disse Mariela Castro em 16 de maio, quando encabeçou uma marcha de gays, lésbicas, travestis e transexuais pela avenida central La Rampa. Foi o primeiro desfile do tipo em Cuba, embora Mariela tenha recusado chamá-lo de marcha; melhor uma "conga" crioula, ela disse.

Marcha ou conga, muitos habitantes de Havana se surpreenderam ao ver tal desfile libertário nas mesmas ruas de El Vedado, onde até há pouco tempo a polícia prendia homossexuais. Cuba continua sendo muito machista, e não são poucos os que se opõem de frente a qualquer avanço das minorias sexuais. A Igreja, é claro, se revoltou com a questão das operações - "Cuba chegou ao fundo do poço", disse o arcebispado de Havana -, e também no Partido Comunista há críticos ferozes, admite Mariela Castro. Já faz tempo que o Parlamento submete a análise uma proposta, defendida pelo Cenesex, que advoga pelas uniões legais entre homossexuais. Mas nada, ainda.

Tradução: Lana Lim

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