UOL Notícias Internacional
 

03/06/2009

O filhinho de papai que escraviza a Coreia do Norte

El País
José Reinoso Em Pequim (China)
No lado oeste da praça Kim Il-sung, situada em pleno centro de Pyongyang, ergue-se o Palácio de Estudos do Povo, uma enorme biblioteca na qual se formam diariamente os intelectuais norte-coreanos. Uma estátua de mármore branco de vários metros de altura do fundador da República Democrática Popular da Coreia preside o vestíbulo. No andar mais acima há um mural com a imagem de seu filho Kim Jong-il, o atual líder da Coreia do Norte, que sucedeu a Kim Il-sung quando este morreu, em 1994, criando a primeira dinastia comunista da história. "Viva o general Kim Jong-il, sol do século 21", reza uma inscrição.

Pelo menos estavam lá em 2003, quando "El País", de forma excepcional, foi autorizado a visitar a capital norte-coreana. Mas o culto que o país mais isolado e secreto do mundo professa a ambos os dirigentes não mudou nesse mundo orwelliano, em que os retratos de pai e filho estão por toda parte, sós ou em dípticos, em gigantescos murais ou em forma de pequenos broches pendurados do peito dos cidadãos.

Mas quem é Kim Jong-il? Quem é esse homem que dirige com punho de aço um regime que enfrentou, um após outro, os governos americanos há décadas? Quem é esse ditador que tem o mundo em alerta com seu programa de armamento nuclear e, mais recentemente, com o teste atômico efetuado na última semana?

Os historiadores estrangeiros afirmam que Kim Jong-il nasceu em 16 de fevereiro de 1941 na antiga União Soviética, onde a família havia se refugiado durante a guerra contra o Japão. Mas a versão oficial relata que chegou ao mundo em um acampamento guerrilheiro secreto nas encostas da montanha sagrada Paektu, onde Kim Il-sung iniciou o movimento para combater a invasão japonesa. A história oficial também mudou a data de nascimento para 1942, para dar um número mais significativo, 30 anos de diferença de seu pai.

Os biógrafos do regime dizem que a vinda ao mundo de Kim Jong-il foi acompanhada de sinais de bom agouro, como a aparição de um duplo arco-íris no céu. Sua família era "patriótica e revolucionária de uma forma sem precedentes na história", e desde pequeno se atribuem ao chamado "querido líder" "uma inteligência assombrosa, um agudo poder de observação, uma grande capacidade de análise e uma perspicácia extraordinária".

Durante a Guerra da Coreia (1950-53), o jovem Kim foi colocado a salvo no nordeste da China, mas a versão norte-coreana não menciona essa etapa. Segundo algumas informações, realizou um curso de piloto durante dois anos na antiga Alemanha oriental, depois do qual voltou a Pyongyang e estudou filosofia e economia na Universidade Kim Il-sung.

O "revolucionário infatigável" começou a trabalhar no Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia em 1964, com apenas 23 anos. Trabalhos de propaganda, organização e expurgo e execução de opositores modelaram sua viagem para o alto, rodeado de culto e endeusamento. Embora tenha havido alguma oposição, em 1980 seu pai o nomeou sucessor e ele entrou para o Politburo. Em 1993 herdou o cetro de comandante supremo do exército, um ano antes de seu pai morrer de um ataque do coração.

Kim, um grande aficionado pelas artes, dirigiu inclusive um estúdio cinematográfico e produziu filmes de propaganda. Com o objetivo de melhorar a indústria, em 1978 ordenou o sequestro de um diretor de cinema sul-coreano e sua ex-mulher, uma atriz, que trabalharam a seu serviço até escaparem em 1986.

Os detalhes sobre sua vida privada são raros, e em muitos casos pouco confiáveis. Alguns foram contados por antigos altos membros do partido que fugiram do país e antigos cozinheiros a seu serviço. Outros rumores parecem ter sido difundidos pelo serviço de espionagem sul-coreano.

Dizem que ele é arrogante, egocêntrico e tremendamente desconfiado, e que tem uma coleção de mais de 20 mil filmes. É aficionado por conhaque francês, embora em uma viagem secreta a Pequim em 2000 tenha comentado que havia parado de fumar e só bebia um pouco de vinho. O que não aceita é sua baixa estatura, já que costuma recorrer a plataformas nos sapatos.

Há tempos acredita-se que Kim Jong-il sofra de diabetes, e no último verão teve uma apoplexia. As imagens divulgadas depois de meses sem aparecer em público o mostraram abatido, mais magro e com possíveis sequelas: o braço esquerdo semirrígido e a mão inchada. O "sol do século 21" sobreviveu a vários golpes militares e tentativas de assassinato. Mas a idade e a saúde estão apagando seu brilho. Daí o interesse que parece ter em designar seu sucessor.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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