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04/06/2009

As eleições locais e as europeias decidem hoje o futuro do primeiro-ministro britânico

El País
Walter Oppenheimer Em Londres
O futuro de Gordon Brown está mais que nunca nas mãos dos eleitores. Da mesma maneira que as eleições municipais provocaram na Espanha de 1931 a queda da monarquia, as eleições europeias, combinadas com eleições locais nas áreas rurais da Inglaterra, podem acabar com a liderança talvez efêmera de Brown no Reino Unido. Os resultados das votações locais serão conhecidos na sexta-feira e os das europeias, no domingo à noite ou na segunda de manhã, o que pode tornar ainda mais dolorosa a agonia do que foi, junto com Tony Blair, o grande promotor do Novo Trabalhismo.

Gordon Brown, premiê britânico

Brown viveu na quarta-feira mais um dia de pesadelo. Primeiro teve de suportar a publicação no jornal pró-trabalhista "The Guardian" de um duríssimo editorial exigindo sua demissão imediata. Depois a ministra de Comunidades, Hazel Blears, anunciou sua demissão. Ao meio-dia o "Guardian" afirmou em sua edição eletrônica que se prepara um golpe de estado contra Brown e que um grupo de deputados trabalhistas está buscando apoio para pedir sua demissão.

Encurralada desde que se soube que não havia pago impostos pela venda de um apartamento, no quadro do escândalo dos gastos dos deputados, Blears parece ter tentado causar o maior prejuízo político ao primeiro-ministro, ao se demitir às vésperas de eleições cruciais e um dia depois de se saber que não continuarão no governo a ministra do Interior, Jacqui Smith, nem outros cargos menores.

A saída de Blears, a queda de Smith e as dúvidas que existem sobre o futuro do ministro do Tesouro e o titular das Relações Exteriores criaram uma imagem de derrocada no governo Brown que tornam muito mais difícil que o primeiro-ministro consiga superar sua fragilidade simplesmente trocando vários ministros.

Embora o pedido de demissão do pró-trabalhista "Guardian" seja apenas a opinião de um veículo de comunicação que nunca demonstrou grande entusiasmo para com Brown e que sempre teve relações tumultuadas com o que é de fato seu governo, sua influência pode acabar sendo decisiva para decantar o Partido Trabalhista contra seu atual líder. O jornal crê que Brown não tem "nem visão, nem plano, nem argumentos de futuro, nem apoio" e que o trabalhismo poderia ter um novo líder em menos de quatro semanas.

Sua tarefa seria liderar um governo com o objetivo de pactuar com o Partido dos Liberais Democratas uma reforma do sistema constitucional e em particular do sistema eleitoral que seria posta em referendo coincidindo com as próximas eleições gerais.

Brown não vai se demitir porque o "Guardian" o diga, mas se se confirmarem as péssimas expectativas eleitorais os barões do partido poderiam intervir para convencê-lo. Ontem, o maior favorito para sucedê-lo, Alan Johnson, reiterou o que não deixou de dizer nos últimos meses: que Brown é a pessoa mais adequada para liderar o governo e o partido na atual recessão.

Mas segundo o jornal um grupo de rebeldes começou a buscar apoios para publicar na segunda-feira uma carta pedindo a demissão do primeiro-ministro. Os rebeldes acreditam que podem conseguir o apoio de até 80 deputados, superando assim as 70 assinaturas que seriam necessárias para implementar uma moção de censura contra a liderança de Brown se chegasse a ser necessário.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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