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04/06/2009

Especialistas analisam o que poderia ter provocado o misterioso acidente do Airbus

El País
A. Jiménez Barca Em Paris (França)
Com os restos do avião no mar e sua caixa negra afundada, o acidente do Airbus da Air France acumula muitas perguntas. A primeira hipótese, a de que um raio tenha fulminado o avião em pleno voo, é demasiada frágil, segundo muitos especialistas. Mas há várias outras perguntas sem resposta. Estas são algumas:

Mapa das buscas

  • Divulgação

    Mapa divulgado pelo ministério da Defesa mostra os locais de busca no ocenao Atlântico. Segundo Nelson Jobim, os destroços estão espalhados e o rastro com as partes formam uma linha de aproximadamente 230 km, considerando as partes que estão mais distantes

Um raio poderia causar o acidente?
Os especialistas em segurança aérea e os pilotos que nestes dias desfilaram pela mídia francesa concordam que é "muito raro" que um raio possa provocar um acidente. Todos lembram que os aviões são equipados para repelir descargas elétricas. Além disso, não é nada incomum que isto aconteça. Na verdade, segundo o Departamento Nacional de Pesquisas Aeroespaciais, "cada avião é atingido por um raio a cada mil horas de voo". "É muito pouco provável que um raio tenha causado isto", declarou na terça-feira o diretor-geral da aviação civil da França, Patrick Gandil, a uma rádio francesa. "No entanto, os raios são acompanhados de outros fenômenos atmosféricos, como turbulências, tormentas, granizo... Mas é cedo para saber se essa foi a causa do acidente."


O acidente pode ter sido causado pelo mau tempo?
A área que o avião atravessava se caracteriza por esconder tempestades violentas e inevitáveis. Podem-se encontrar nuvens de tormenta a 15 km de altura (que nenhum avião de passageiros consegue passar por cima) e com dezenas de quilômetros de diâmetro. Também se registram ventos capazes de desestabilizar o aparelho ou prejudicar elementos do avião. Em geral os pilotos tentam evitá-las fazendo uma volta. François Grangier, piloto de aviões comerciais e um dos especialistas do Tribunal de Cassação francês, afirmou terça-feira ao jornal "Le Parisien": "As tempestades nessa região não são brincadeira". Depois aventurou uma hipótese: "Se o avião foi fulminado por um raio, os pilotos poderiam perder o rádio e as antenas dos radares meteorológicos. Dessa forma, poderiam ter navegado às cegas para a tempestade".

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Por que não foi lançada uma mensagem de socorro?
Esta é uma das perguntas que mais atormentam os especialistas que tentam explicar o acidente. A tripulação saiu do Rio de Janeiro com um sistema que continha três maneiras diferentes de entrar em contato com a torre de controle para lhe enviar um pedido de ajuda. Nenhuma foi utilizada. As chamadas do avião se limitaram a um comentário do piloto no qual informava que entravam em uma zona de turbulência e a dezena de mensagens automáticas de avaria no sistema elétrico enviada para a central da Air France em Paris. Alguns indicam que os pilotos poderiam estar ocupados demais tentando dominar um aparelho em queda livre para falar por rádio. Ou que, em caso de despressurização explosiva da cabine, a temperatura gélida do exterior (70 graus abaixo de zero) os teria paralisado instantaneamente. Também não funcionaram as três balizas automáticas preparadas para ser ativadas caso o avião mudasse de trajetória. Isso indicaria que o que aconteceu, seja o que for, se desenrolou de forma tão rápida quanto brutal.

  • AP

    Airbus A330-200 saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris

Poderia ser um atentado?
Horas depois de se divulgar o acidente, a polícia francesa inspecionou a lista de passageiros em busca de possíveis nomes de suspeitos e terroristas. Em vão. O ministro dos Transportes, Jean Louis Borloo, declarou na terça-feira que isso é uma questão "de rotina" e que se faz sempre nesses casos. O voo não é considerado especialmente perigoso. E nenhum grupo terrorista reivindicou um hipotético atentado. De todo modo, e embora nos primeiros momentos a Air France tenha descartado um ato terrorista, a falta de dados e de certezas levou os responsáveis políticos a não descartar nenhuma hipótese. De qualquer forma, um policial relacionado à investigação revelou na terça-feira ao "Le Parisien" que está totalmente excluído "um sequestro fracassado".

O sistema eletrônico do avião falhou?
O Airbus 330 é equipado com um mecanismo que envia sinais da cabine do piloto para diferentes partes do avião, como os ailerons, através de um cabeamento eletrônico conectado a computadores, e não através de um sistema mecânico de cabos ou tubos hidráulicos, como outros aviões. Esse sistema aciona de forma automática as manobras necessárias para evitar acidentes iminentes, mas alguns Airbus não permitem que o piloto anule o sistema de proteção. Hans Weber, diretor da consultoria Tecop em San Diego, Califórnia, afirmou na terça-feira ao jornal "The New York Times" que o sistema poderia ter falhado.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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