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06/06/2009

Brown ganha tempo, mas urnas expulsam o trabalhismo do poder local

El País
Walter Oppenheimer Em Londres (Reino Unido)
Gordon Brown viveu na sexta-feira um dia agridoce. Por um lado conseguiu frear a grave crise que enfrentou na quinta-feira à noite, quando a demissão do dinâmico ministro do Trabalho, James Purnell, ameaçou levá-lo junto. O primeiro-ministro conseguiu manter o apoio do gabinete e assim ganhar um pouco de tempo. Mas sua posição continua sendo muito precária porque acabou refém de seu próprio gabinete, que mal conseguiu remodelar apesar de suas aspirações de realizar uma mudança profunda.

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  • AFP

    Ministro da Defesa do Reino Unido, John Hutton (dir.), apresentou nesta sexta-feira (5) sua renúncia, tornando-se o quarto membro do Governo trabalhista de Gordon Brown (esq.) a deixar o cargo nos últimos dias

Em uma entrevista coletiva para explicar as mudanças, Brown admitiu que os trabalhistas sofreram "uma dolorosa derrota" nas eleições locais, mas insistiu que não vai se demitir: "Não vou vacilar. Não vou sair, vou continuar com este trabalho", afirmou. Ele fez isso depois de garantir o apoio dos pesos-pesados do gabinete com mais capacidade de lhe dar uma punhalada algum dia. Acreditam que não chegou o momento de derrubá-lo ou que talvez o remédio seja pior que a doença. Mas falta ver como reagirá na semana que vem o grupo parlamentar trabalhista diante dos resultados das eleições europeias.

Sua fragilidade poderá aumentar no domingo, quando se conhecerem esses dados. O escrutínio na sexta-feira das eleições em 34 comarcas deixou os trabalhistas despojados do escasso poder que mantinham nos municípios em jogo. Segundo os dados da BBC, os trabalhistas perderam as quatro câmaras que controlavam e os conservadores ganharam o poder em seis, com o que, faltando alguns resultados, governavam em 27 das 34. Outra era dos liberais democratas e nas demais não há maioria.

Em termos de vereadores, os trabalhistas só contavam na noite de sexta-feira com 144 (210 a menos que em 2005), os tories com 1.221 (191 a mais), os liberais com 423 (13 a menos) e outros partidos, 148 (25 a mais).

Segundo uma projeção da BBC, os conservadores obtiveram 38% dos votos, os liberais 28% e os trabalhistas 23%. Mas essas porcentagens não permitem analisar em profundidade o voto de quinta-feira porque não há dados comparativos com esses mesmos conselhos de comarcas em 2005. Para se ter uma ideia mais correta do castigo eleitoral para os trabalhistas, e talvez também para os outros dois grandes partidos, é preciso esperar o resultado das eleições europeias.

Gordon Brown preferiu não esperar e realizou na sexta-feira sua esperada crise de governo. Dela se tiram duas conclusões: a primeira é que conseguiu ganhar um pouco de tempo porque conseguiu realizá-la. A segunda é que é refém de seu próprio gabinete porque não pôde fazer as grandes mudanças que tinha em mente para relançar sua liderança. Imitando nos últimos meses o conservador John Major em Downing Street em 1997, os barões trabalhistas deixaram que Brown continue no cargo, mas não no poder: "In office but not in power". Brown não conseguiu deslocar para outra pasta nem um de seus grandes aliados, Alistair Darling, que continua sendo ministro do Tesouro, nem um de seus grandes rivais, David Miliband, que continua na chefia das Relações Exteriores.

Alan Johnson, citado como a alternativa em caso de urgência, foi promovido da Saúde para o Interior. Aliado histórico de Tony Blair e um dos ministros que têm melhor mídia, Johnson se descartou mil vezes como candidato a primeiro-ministro e chegou a admitir que não está preparado para isso. O próprio fato de que tenha aceitado o Interior é uma prova de lealdade a Brown, porque é uma pasta que queimou todos os seus ocupantes desde 2001: David Blunkett, Charles Clarke, John Reid e Jacqui Smith.

O primeiro-ministro sofreu na sexta-feira algumas demissões, mas sem a transcendência política das de dias anteriores e com mais ares de despedida que de demissão. John Hutton, sempre crítico com Brown até que este o promoveu à Defesa, deixou ontem o governo "por razões familiares" e não se apresentará à reeleição como deputado. Mas defendeu publicamente e sem rodeios a continuidade de Brown e criticou a demissão da véspera de Purnell.

Também se demitiu o incombustível Geoff Hoon, ex-ministro de quase tudo. Mas o fez em silêncio porque aspira a se transformar em comissário europeu em janeiro.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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