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06/06/2009

Pró-sírios e pró-ocidentais disputam o voto no Líbano

El País
Juan Miguel Muñoz Em Beirute (Líbano)
Os candidatos libaneses lutavam na sexta-feira para conseguir o apoio de cada eleitor para as eleições legislativas de amanhã (7), que decidirão se o sempre convulsionado país decide manter um governo pró-ocidental que desfrute do apoio aberto dos EUA ou se voltarão ao poder os partidários da influência síria no Líbano. Prevê-se uma elevadíssima participação entre os 3,2 milhões potenciais eleitores, muito conscientes de que no final, seja qual for o resultado, o futuro depende em grande medida do que se decidir em Teerã, Washington, Damasco e Paris.

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Nada é deixado ao acaso. Só nos três últimos dias mais de 20 mil libaneses voltaram para exercer seu direito ao voto. Os partidos se acusam mutuamente de pagar as passagens de avião, hotéis e despesas dos viajantes. A descoberta de carteiras de identidade falsas e as acusações de compra de votos, uma tradição histórica, se multiplicam. A disputa é mais renhida entre o movimento xiita Hizbollah e seus aliados - o partido do ex-general maronita Michel Aoun, o grupo xiita Amal e outros parceiros pró-sírios - e o bloco favorável a conseguir o apoio do Ocidente: uma aliança entre parte dos cristãos, os drusos - Walid Yumblat - e sunitas - Saad Hariri. É exatamente em várias circunscrições com forte presença cristã que se dará o veredicto.

As pesquisas preveem que o bloco vencedor gozará de apenas alguns deputados de vantagem. Mais de uma centena dos 128 assentos - o pacto constitucional dos anos 1940 fixa sua distribuição em 50% entre muçulmanos e cristãos - já estão atribuídos porque o sistema eleitoral propicia o acerto entre os caudilhos de todas as seitas, e em muitos dos 26 distritos só concorrerá uma chapa, sem qualquer rival.

Em poucos países do mundo se verifica a ingerência das potências estrangeiras como no Líbano, um país que não se encontra diante de uma encruzilhada; vive nela permanentemente e arrasta problemas imensos: um governo semiparalisado pelo direito de veto de que goza a atual oposição pró-síria, uma dívida pública descomunal, uma enxurrada de assassinatos políticos que poucos confiam que um dia será resolvida e as sequelas da destruição causada por Israel na guerra de 2006.

Contudo, os analistas políticos preveem que nenhum bloco deseja choques armados como os que colocaram o Líbano à beira de outra guerra civil em maio de 2008, quando o Hizbollah tomou de assalto a metade de Beirute tranquilamente. A conjuntura regional e internacional - especialmente a presença de Barack Obama na Casa Branca e sua abertura para Damasco e Teerã - também não alimenta os ânimos bélicos.

Essa permanente ingerência é o que mais temem os libaneses comuns. Maruan, um economista druso leal ao bloco pró-ocidental, o expressou com clareza: "Mesmo que o Hizbollah e seus aliados ganhem as eleições, os EUA e a França devem continuar ajudando o país".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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