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09/06/2009

Os radicais chegam ao Parlamento Europeu

El País
Ricardo M. de Rituerto Em Bruxelas (Bélgica)
"Trágico", "angustiante", "horrível", "desesperador" ... A arrasadora irrupção de partidos antissistema no Parlamento Europeu provocou na segunda-feira uma cascata de desqualificações de alto a baixo na União Europeia, em particular por políticos cujo fracasso nas urnas deu lugar a um grupo heterogêneo de extremistas, xenófobos, eurófobos, eurocéticos e populistas de todo tipo. O rótulo genérico de "radicais" pode cobrir mais de 120 dos 736 deputados da nova Eurocâmara, uma relação de cinco para um que dá uma perspectiva ao fenômeno e permite aventurar que os partidos convencionais não os deixarão sequestrar o Parlamento, apesar do ruído que vão produzir.

Uma análise mais detalhada reduz a um punhado os realmente intratáveis, que terão de se esforçar para formar um grupo próprio. Já em 2007 duas dúzias de eurodeputados extremistas fracassaram na tentativa de formar um grupo no Parlamento Europeu.

O Reino Unido reforçou sua marca de país eurocético por excelência com o envio para Bruxelas e Estrasburgo de dois eurodeputados do Partido Nacional Britânico (BNP), que era um pequeno grupo há cerca de 20 anos e fez bandeira do que percebe nas ilhas como racismo antibranco. "Os trabalhistas, os liberal-democratas e os conservadores deixaram aberta a porta do Reino Unido e obrigaram as pessoas a buscar um partido que fale claramente do problema da imigração", explica na BBC Nick Griffin, líder do partido há dez anos e titular de Cambridge que se veste como se espera de um eurodeputado, e não como os fanfarrões da ainda mais extremista Frente Nacional, em que ele militou antes.

O fracasso socialista abre uma nova etapa na construção europeia

A queda histórica registrada pelos socialistas na Europa abre uma nova etapa na construção europeia, marcada por um progressivo distanciamento dos cidadãos do projeto da União Europeia (UE). Os partidos conservadores, o Partido Popular Europeu (PPE) e o novo grupo liderado pelos conservadores britânicos (tories), com mais de 320 lugares ao todo, se encontram com as mãos muito mais livres para gerir as nomeações dos futuros dirigentes da UE. A virada à direita que vinha ocorrendo nos últimos anos registrou na segunda-feira um forte impulso, aproveitando o desinteresse das classes trabalhadoras e médias pelas ofertas da esquerda europeia

Mais inclinados aos uniformes, aos desfiles e demonstrações de força são os ultranacionalistas do Movimento para uma Hungria Melhor (Jobbik), criado no início desta década por jovens movidos pelo lema "Hungria para os húngaros". Segundo eles, é preciso expulsar os ciganos e devolver ao país o perímetro da Grande Hungria que morreu com a dissolução do Império Austro-Húngaro no final da Primeira Guerra Mundial. Isso já provocou incidentes com a Eslováquia, protagonizados pela Guarda Húngara, que, com seus uniformes pretos, lembra os do partido nazista. A advogada Kristina Morvai encabeçará o trio de eurodeputados do Jobbik, disposta a combater qualquer medida que represente vender a Hungria para os estrangeiros.

Geert Wilders, um político conservador que explorou com sucesso as preocupações que o islamismo radical produz na Holanda, tem pavor de que queiram associá-lo a semelhantes partidos e deixou bem claro que nunca os quatro eurodeputados de seu Partido pela Liberdade formarão um grupo com tais companhias.

Para que os radicais tenham algo a dizer na Eurocâmara, é crucial a formação de um grupo próprio, o que lhes dá apoio institucional e meios aos quais de outra forma não teriam acesso. Para isso precisam coligar-se a pelo menos 25 deputados de sete países, o que no passado não foi fácil. Há dois anos fracassou estrepitosamente uma tentativa de criar um grupo de extrema-direita com o rótulo Independência, Tradição e Soberania. Nele estaria Jean-Marie Le Pen, que hoje vegeta no grupo dos Não-Inscritos. A xenófoba Liga Norte de Umberto Bossi se enquadra no grupo Independência/ Democracia.

Essa experiência permite ao liberal britânico Graham Watson profetizar que "suas divisões internas e suas incoerências os impedirão de propagar suas ideias". O cientista político Antonio Missiroli, do European Policy Center, percebe a existência de muitas formações pequenas muito diferentes e dá por certo que "vão fazer ruído; têm o potencial de votar contra, mas não se traduzirá forçosamente em coalizões com outros grupos". Segundo ele, "não são apresentáveis para os grandes partidos, que não vão procurá-los para as votações".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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