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09/06/2009

Poetisa libanesa publica revista erótica dirigida ao mundo muçulmano

El País
Nada Ziadeh Em Beirute
Uma revista erótica no mundo árabe, idealizada por uma mulher. O desafio, que pode parecer subversivo, figura na agenda de Joumana Haddad, poetisa libanesa responsável pelo suplemento cultural do jornal "An Nahar". O primeiro número de "Jasad", que significa "corpo" em árabe, foi vendido em dezembro em sacos plásticos com a menção "para adultos" e se esgotou em apenas dez dias. Por enquanto, não teve problemas com a censura no Líbano.

Joumana Haddad, poetisa libanesa

  • Reuters

A ideia, explica Haddad, foi "fazer uma revista cultural nova, fresca, provocadora com inteligência, onde se possa falar livremente de temas tabus". "Restituir a nossa língua árabe uma parte muito importante de seu patrimônio, de seu vocabulário: a parte ligada ao corpo e à sexualidade", continua. Mas não só isso. "Jasad" também é carregada de arte, literatura e das "ciências do corpo", "em sua dimensão erótica, social, estética, antiestética, antropológica, linguística". É uma revista trimestral de 200 páginas com um tema principal (incesto, fetichismo, ninfomania, violência conjugal etc.), várias rubricas (minha primeira vez, cozinha afrodisíaca etc.) e também ensaios, críticas de cinema ou de literatura.

Os colaboradores vêm de diversas disciplinas, mas todos pertencem ao mundo árabe. Escrevem com seus próprios nomes; os pseudônimos são proibidos. Tudo serve ao fim de contribuir "para uma verdadeira mudança das mentalidades radicais e obscurantistas. Vivemos em um mundo de hipocrisia e de esquizofrenia, temos de começar a dizer o que pensamos". As imagens, bastante explícitas, são obras de arte e estão lá porque "o explícito visual é uma necessidade como visão artística primordial".

Em um país onde se cortam as partes consideradas de conteúdo literal nos filmes, revistas ou livros, é surpreendente que se permita a publicação de uma revista cujo tema principal é o sexo. Haddad afirma que tudo se deve "ao atual ministro da Informação (...), um grande intelectual que acredita na liberdade de expressão". Dirige-se a todos os públicos e conta com assinantes em vários países árabes, sobretudo na Arábia Saudita, onde não é vendida.

Mas nem tudo foram boas notícias, como se pode imaginar. A revista foi condenada como uma incitação à pornografia. Em um mundo onde a homossexualidade, por exemplo, ainda é considerada um delito, falar de masturbação, ereção ou incesto é escandaloso. Isso levou algumas vozes a lançar queixas indignadas na tentativa de proibir sua venda. Para Joumana Haddad, é uma reação normal: "A 'Jasad' tem adversários, mas também muitos defensores, o que gera um diálogo permanente sobre o que representa e inspira... A unanimidade é algo perigoso". Por enquanto, o que a publicação demonstrou é que se o Líbano é o país árabe com mais liberdade, também é um torvelinho de contradições.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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