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10/06/2009

"Não sou Michelle Obama", diz mulher de candidato presidencial reformista iraniano

El País
Ángeles Espinosa Em Teerã (Irã)
Para começar, ela não tem os belos braços da mulher do presidente americano. Mas a ativa participação de Zahra Rahnavard na campanha eleitoral de seu marido, Mir Hosein Musavi, atiçou a imaginação dos jornalistas que cobrem as eleições iranianas. Alguns chegaram a especular com a eventualidade de uma primeira-dama iraniana. Em uma reunião incomum com a imprensa convocada pela própria Rahnavard, a consorte do candidato reformista rejeitou essa possibilidade no domingo.

"Não sou Michelle Obama, mas Zahra Rahnavard", disse. A improvável novidade contrasta com o papel secundário a que os fundamentalistas querem relegar às mulheres, como denunciou essa professora universitária e artista. Rahnavard, 61 anos, atribuiu o ataque de que foi alvo alguns dias antes por parte de Mahmud Ahmadinejad à incapacidade dele para tolerar a presença de mulheres em cargos importantes. No debate eleitoral com Musavi, o presidente lhe mostrou um documento com uma foto de sua esposa. "Conhece esta mulher?", perguntou antes de acusá-la de ter "chegado à universidade sem passar nas provas de admissão". "Não só ofendeu a mim como a todas as mulheres deste país, a todos os iranianos e a seu cargo", declarou Rahnavard.

Para ela, suas palavras depreciativas provam que Ahmadinejad não aceita a existência de "uma mulher artista, com dois mestrados, um doutorado e uma cátedra na universidade". Ele não deve ser o único no Irã. O Conselho de Guardiães, órgão encarregado de vetar as credenciais islâmicas dos candidatos, não considerou que nenhuma das 42 iranianas que se inscreveram para as eleições presidenciais tivesse as qualidades pessoais e morais necessárias. Mas as aspirantes não arredaram. A maioria reconduziu seu esforço para fazer campanha diante dos quatro candidatos aprovados para que cuidem de sua causa. E o empenho está dando frutos. Todos eles fizeram alguma menção à necessidade de potencializar as mulheres durante suas campanhas. Mas nenhum como Musavi pregou com o exemplo. A presença de Rahnavard ao seu lado durante os comícios eleitorais é inédita na república islâmica.

A mulher de Ahmadinejad, professora, raramente é vista em público. O mesmo aconteceu com as mulheres de seus antecessores. Sempre coberta com o chador, que distingue as xiitas piedosas, Rahnavard não se limitou a levantar com entusiasmo os cartazes com a imagem de seu marido. Interveio em seus comícios e, como demonstrou durante seu pronunciamento à imprensa, sente-se parte de seu projeto político.

"Vamos reconsiderar os casos das mulheres detidas por motivos políticos, e posso lhes afirmar que a liberdade de expressão será uma prioridade", indicou utilizando o plural. Inclusive adiantou que Musavi "estuda nomear pelo menos duas ou três ministras, várias vice-ministras e embaixadoras, além de conselheiras e diretoras gerais".

Essa maior visibilidade de sua causa não evitou que continue a pressão oficial contra a Campanha pela Igualdade. "Pela primeira vez em três anos, e apesar de meia centena de detenções, duas ativistas foram acusadas de pertencer a uma organização ilegal", denuncia outra delas, Sussan Tahmasebi. Desde o verão de 2006 e com o apoio da prêmio Nobel Shirin Ebadi, grupos de mulheres de todo o espectro político recolhem assinaturas contra sua discriminação diante da lei. Musavi e Rahnavard prometeram acabar com ela.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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