UOL Notícias Internacional
 

11/06/2009

Inflação e desemprego dominam o debate eleitoral no Irã

El País
Ángeles Espinosa Em Teerã (Irã)
"Até minha mãe sabe que temos inflação, porque a sofre quando tem de pagar o quilo de carne a 60 mil riais, em vez dos 40 mil que pagava há um ano", respondeu Mahdi Karrubi, um dos dois candidatos reformistas, ao presidente, Mahmoud Ahmadinejad, que tentava sufocá-lo com dados durante seu debate pela televisão. Havia acertado na mosca. Para os iranianos, a economia foi o elemento mais importante da campanha e a resposta chave dos candidatos para decidir seu voto nesta sexta-feira.

Os principais candidatos

  • AP

    (A partir do topo equerdo, em sentido horário) Mahmoud Amadinejad, Mir Hussein Mousavi, Mohsen Rezaei e Mahdi Karroubi são os principais candidatos à presidência do Irã

Mas não será fácil para eles. Enquanto Ahmadinejad defende que suas políticas melhoraram a vida do iraniano médio, seus três rivais insistem em que a situação do país é preocupante. Todos mostraram nestes dias números contraditórios que deixaram os eleitores confusos. Sem dúvida as políticas populistas do presidente enriqueceram alguns segmentos da população. Basta ver as concessionárias de carros de alto preço e as lojas de luxo que abriram durante seu mandato.

Mas apesar da exibição de gráficos com os quais tentou convencer os iranianos de que seu país conseguiu evitar a recessão global, as cifras dizem outra coisa. Segundo o Fundo Monetário Internacional, o crescimento previsto para 2009 será de 3,2%, contra 4,5% em 2008 e quase 8% em 2007. "Ahmadinejad se concentrou na distribuição da riqueza, mas o principal problema do Irã não é a distribuição, e sim a produção de riqueza", explica Saeed Leylaz. Este economista, que apoia o reformista Mir Hossein Mousavi, afirma que "o Irã precisa criar entre 700 mil e 800 mil empregos por ano para enfrentar os jovens que chegam ao mercado de trabalho, e isso exige um crescimento entre 6% e 8%". A solução é "fomentar os investimentos estrangeiros", algo que a política do atual presidente tornou muito difícil.

As autoridades reconhecem 12% de desemprego, mas não há estatísticas nem sobre os empregos redundantes (basta entrar em uma agência bancária para ver oito empregados onde na Espanha haveria um) nem o subemprego. Os elevados índices de inflação - 14% segundo o presidente e 23,6% segundo o Banco Central do Irã - e de desemprego precedem a chegada de Ahmadinejad; o que os torna mais sangrentos da que durante seus quatro anos de governo o país teve as maiores receitas de petróleo de sua história. Muitos iranianos se perguntam aonde foram parar. Aposentados e funcionários, no entanto, mostram-se agradecidos com os aumentos de suas rendas.

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Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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