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18/06/2009

Em busca da caixa-preta, a França rastreia o fundo do Atlântico

El País
Antonio Jiménez Barca Em Paris (França)
No meio do oceano Atlântico, dois barcos carregados com microfones ultrassensíveis e um submarino equipado com um sonar rastreiam uma área do tamanho da província espanhola de Zaragoza em busca de um som parecido com uma martelada. Paul-Louis Arslanian, diretor do Departamento de Análises e Investigações, o organismo oficial francês encarregado de investigar o acidente do Airbus, continua sem conclusões sobre as causas do sinistro do vôo AF447, que viajava do Rio de Janeiro para Paris com 228 pessoas a bordo.


Mas na quarta-feira ele descreveu em um pronunciamento público os detalhes da busca da caixa-preta em uma área de 17 mil quilômetros quadrados. Mostrou pelo sistema de alto-falantes da sala um sinal idêntico ao que desde 1º de junho, data do acidente, é emitido pela baliza anexa à caixa-preta do avião, mergulhada em uma parte do mar entre montanhas submarinas a uma profundidade provavelmente superior a 4.500 metros. O som que ela emite é um toc-toc-toc, parecido com uma martelada seca em uma tábua. Se a baliza não tiver sido danificada, começou a emitir desde o exato momento em que entrou em contato com a água. O ruído estará soando até que se esgote a bateria, que dura no mínimo um mês - até 1º de julho. O sinal alcança um raio de 2 km. Além disso é inaudível, mesmo para os refinados receptores enviados pelos EUA e a França.

Para se avaliar o alcance, o tamanho e a dificuldade da busca, o diretor do departamento francês lembrou que a área rastreada cai em cheio na chamada Dorsal Atlântica, isto é, uma cordilheira que atravessa o oceano Atlântico de cima a baixo, com picos de 4.500 metros e outros cumes de 800.

Participam da busca um submarino nuclear francês equipado com um sonar e dois rebocadores também franceses que, amarrados a cabos de mais de 6 mil metros, puxam hidrofones ultrassensíveis cedidos pelo Pentágono, capazes de escutar esse toc-toc-toc a mais de 1,5 km de distância. Arslanian explicou que é uma busca difícil, sujeita a decisões arriscadas: "Se delimitarmos uma área pequena de rastreamento, corremos o risco de deixar de lado a baliza; se abarcarmos uma zona muito ampla, talvez não cheguemos a tempo".

Arslanian não defendeu qualquer hipótese sobre a causa do acidente: "Ainda estamos colhendo dados. E é melhor fazê-lo sem idéias preconcebidas. Assim se abrem mais os olhos". Com relação às últimas descobertas das autópsias, que em princípio descartam uma explosão devido à falta de queimaduras nos cadáveres, Arslanian foi claro: "Não falaremos sobre isso porque não tivemos acesso ao resultado das autópsias, feitas pelo pessoal brasileiro. Nós temos um médico em Recife, mas não permitiram que ele participasse da equipe".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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