UOL Notícias Internacional
 

19/06/2009

Empresário ofereceu cobertura no Brasil a terroristas espanhóis

El País
Em Madri (Espanha)
O escritório de Ignacio Goyoaga - detido por seu envolvimento na tentativa de fuga de membros do ETA da prisão de Huelva (sul da Espanha) - era mais que um esquema para defender presos do grupo terrorista. Era também uma espécie de caixa postal para as comunicações do ETA e um ponto aonde os empresários extorquidos com o chamado imposto revolucionário iam negociar. A Guarda Civil localizou várias anotações de um empresário de Navarra que, angustiado por não poder pagar os 120 mil euros que lhe exigiam, sugeria a possibilidade de dar cobertura para terroristas fugidos no Brasil, onde supostamente o extorquido tem empresas e residência, segundo fontes da investigação.

O empresário aparece nos documentos identificado pelo código A05NO7664B120H. As cartas localizadas no escritório são respostas do extorquido ao ETA, uma datada de 18 de abril de 2008 e outra de novembro desse ano. O industrial comunica "sua intenção de realizar o pagamento", mas lhes informa sobre uma série de "dificuldades para materializá-lo". A mera existência dessas notas levou o juiz Fernando Grande Marlaska e a Guarda Civil a supor que Goyoaga era "uma via de comunicação", "uma ligação ou correio" para fazer chegar mensagens ao ETA.

Durante a revista, a Guarda Civil também encontrou uma nota manuscrita sobre a possibilidade de que o ETA pudesse contar com infraestrutura no Brasil. Inicialmente se considerou que essa nota é a contribuição que um membro do bando queria fazer à direção do ETA. No entanto, investigações posteriores e as declarações judiciais do próprio advogado indicam que foi o empresário que, angustiado pela impossibilidade de fazer o pagamento, ofereceu-se para dar cobertura e inclusive trabalho no Brasil para "etarras" [membros do ETA] fugitivos, onde supostamente ele tem propriedades. É a primeira vez que se tem informações de que um empresário tenha oferecido ao ETA um acordo semelhante para escapar à extorsão.

A batida no escritório de Goyoaga também revelou uma "nota manuscrita" sobre o seguimento de um potencial alvo do bando, na qual são detalhados os hábitos da pessoa, "sobretudo nos fins de semana e nas férias, descrevendo o local que frequentam". O juiz não tem dúvida de que se trata de "como agir em caso de se cometer um hipotético atentado" contra essa pessoa. Nem a identidade dela nem a do empresário extorquido são conhecidas por enquanto. É verdade que Goyoaga tinha em seu computador uma foto de Grande Marlaska, sem mais explicações.

A investigação continuou esclarecendo dados sobre a tentativa de sequestro. Por enquanto, o comando escolhido para o plano se chamava Askatasun Haizea, quer dizer, "vento de liberdade", ao qual uma estrutura do ETA chamada BITA (Bahituen Ihesldi Taldea, o grupo de fuga dos sequestrados, que é como o bando considera seus presos) o havia encarregado de tirar da prisão de Huelva pelo menos Jorge García Sertucha.

O projeto incluía sequestrar um helicóptero, muito provavelmente, segundo os investigadores, dos que são usados na Andaluzia no plano de combate a incêndios. De fato, o serviço de informação da Guarda Civil encarregou seus companheiros andaluzes "de confeccionar um relatório técnico sobre a viabilidade do plano de fuga" do ETA.

E também se soube que Sertucha estava desesperado para escapar, a ponto de ter enviado uma carta à direção do ETA pedindo explicações sobre por que sua fuga estava demorando. Até meia dúzia de vezes pergunta sobre quando vão tirá-lo. A ligação entre Sertucha, através de sua namorada que o visitava na prisão, com a direção etarra era Goyoaga, segundo a Guarda Civil, que afirma em seus relatórios que o plano de fuga e seus meios "estavam vigentes".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    09h49

    -0,28
    3,267
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,54
    61.673,49
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host