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20/06/2009

Em Barcelona, chineses ficam sem rumo após serem "libertados" de trabalho ilegal

El País
Jesús García Em Barcelona (Espanha)
O que nasceu como uma operação policial contra a máfia chinesa se transformou três dias depois em um conflito social e econômico. E dos grandes. Os Mossos d'Esquadra (polícia autônoma catalã) vasculharam 72 oficinas de confecção e "libertaram" 450 trabalhadores chineses de condições de trabalho asfixiantes. Os operários, alguns sem papéis, veem a coisa de outro modo. Não se sentem vítimas de exploração trabalhista. Acreditam sobretudo que lhes fizeram uma trapaça: agora estão sem salário, sem o que fazer e perambulando ociosos pelas ruas de Mataró (Barcelona), cenário da batida.

O conflito vai além da ocupação (relativa) do espaço público. Cerca de 60 chineses costumavam dormir em colchões dentro das oficinas, junto das máquinas de costura. De modo que, ao abandonar os locais, ficaram sem teto. Já passaram duas noites ao relento: alguns na praia, outros em parques. Na quinta-feira finalmente foram alojados em um albergue depois de se plantarem diante da delegacia de polícia local. Mas na sexta-feira o abandonaram e estão pendentes de uma saída em médio prazo.

A polícia lembrou em um comunicado que os trabalhadores "continuam dispondo dos habitáculos" onde dormiam, já que não foram fechados. O prefeito de Mataró, Joan Antoni Baron, foi mais explícito e convidou os chineses a regressar ao lugar do qual supostamente foram libertados: "Fazemos um apelo para que os que tenham casa voltem para casa. Os que viviam na oficina, à oficina. Os que ficarem na rua terão ajuda", disse Baron, preocupado porque "um número indefinido de gente" passeia por Mataró sem destino. "Não sabemos onde estão todos."

Os operários, pelo menos por enquanto, não voltaram às oficinas. Temem - sobretudo os irregulares - que a polícia bata novamente a sua porta. E insistem que não são controlados por nenhuma rede mafiosa. A verdade é que a maioria dos 450 está em casas de parentes e conhecidos. O trabalho ocupava a maior parte de seu tempo (12 horas por dia) e agora "passeiam como se fosse domingo", disse o presidente da União de Associações Chinesas da Catalunha, Lam Chuen Ping.

O prefeito de Mataró criticou que o Departamento do Interior não o tenha alertado para a batida, "para ativar os recursos sociais" e lamentou que "ninguém tenha previsto as consequências econômicas e sociais de uma operação desse calado".

Os chineses abandonaram na sexta-feira o albergue Torre Ametller, en Cabrera de Mar. "Vieram uns carros e os levaram", disse um responsável pelo centro. Cerca de 50 pessoas, indignadas porque foram relacionadas à máfia, negociaram na sexta-feira com as autoridades para buscar uma solução. Há um fator adicional: ao fechar, as oficinas não puderam entregar os pedidos de roupas. Fontes do consulado da China lembraram, nesse sentido, que é preciso "normalizar a atividade econômica", uma demanda à qual se somou Chuen Ping. Mas se assume um dado levantado na sexta-feira pelo prefeito: acontece que as oficinas não são ilegais. Pelo menos não todas. A prefeitura realizou inspeções em 2003 e 2004. E um terço do total (ou seja, 24) possui licença municipal de atividade. Outros quatro estão tramitando para obtê-la.

Dos 77 chefes de oficinas detidos na operação policial, 58 ficaram em liberdade com acusações de delito contra os direitos dos trabalhadores. Os demais ainda devem depor.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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