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21/06/2009

Annie Leibovitz, a fotógrafa dos famosos, faz exposição na Espanha

El País
Isabel Lafont Em Madri (Espanha)
Ela é chamada de a fotógrafa dos famosos, e certamente na quinta-feira a nuvem de fotógrafos, câmeras e jornalistas que lotavam a sala Alcalá 31, em Madri, parecia mais adequada ao tapete vermelho de um festival de cinema que à inauguração da exposição "Annie Leibovitz: Vida de uma fotógrafa - 1990-2005". Nem Esperanza Aguirre, presidente da Comunidade de Madri, a quis perder - rodeada de todos os seus conselheiros, atuou como mestre de cerimônias na apresentação.

Fotos de Leibovitz

  • Annie Leibovitz

    Capa da revista norte-americana Vogue de março de 2009 com a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama

  • Annie Leibovitz

    A então primeira-dama dos EUA, Hillary Rodham Clinton, na capa da edição de dezembro de 1998

Deve ser porque Leibovitz fotografou John Lennon nu, agachado junto de Yoko Ono, algumas horas antes de morrer. Ou a atriz Demi Moore, grávida e também nua, para uma capa da revista "Vanity Fair" que mudou as regras da iconografia editorial. Durante quatro décadas, diante da lente de Annie Leibovitz (nascida em Waterbury, Connecticut, em 1949) passaram todas as celebridades do universo hollywoodiano, estrelas do rock, poderosos políticos ou famosos escritores. Jack Nicholson, William Burroughs, Patti Smith, Mikhail Baryshnikov... e, é claro, Susan Sontag, sua companheira durante 15 anos.

Apesar da algazarra que a esperava na semana passada, a fotógrafa sempre manteve sua intimidade sob sete chaves. "Eu não saio para jantar com as pessoas que fotografo. Trabalho muito e protejo muito minha vida pessoal", afirmou. Mas neste projeto admite que "desnudou a alma". Vestida de genuíno preto nova-iorquino - camisa e calça -, com sua cabeleira loura, nem sequer os tênis que calça - também pretos - tiram algo dessa elegância boêmia característica de Manhattan.

Fala intercalando muitas pausas, como se refletisse sobre o ritmo, e explica que tudo começou depois da morte de Sontag, em dezembro de 2004, e a de seu pai, seis semanas depois. Começou procurando fotos de sua companheira para o serviço fúnebre e acabou escavando no arquivo os negativos do período citado no título da mostra.

A seleção final reúne 200 imagens nas quais se misturam os trabalhos de encomenda - famosos, políticos - com um catálogo afetuoso de fotos familiares pelas quais desfilam pais, irmãos e suas três filhas. "Não tenho duas vidas", Leibovitz escreve a modo de explicação no livro que reúne as fotos da exposição (editado pela Lunwerg na versão espanhola). "É a narração de uma história. O material estava lá, e juntá-lo para contar uma história foi excitante."

A fotógrafa permite que o espectador entre até nos mais íntimos recantos de sua existência. Deixa ver sua imagem nua, grávida aos 50 anos, de sua primeira filha, Sarah. Ou as várias internações de Sontag, que lutou contra o câncer durante décadas. Até sua morte, que a fotógrafa mostra, sem falso pudor. Por que publicar algo tão íntimo? "Depois que Susan morreu, falei com seu filho David [Rieff, jornalista e escritor]. Um dos primeiros usos da fotografia foi retratar os mortos para guardar sua memória. Conversei com David e ele me disse que era algo que eu devia fazer. Ele me deu sua autorização, de alguma maneira. Mas naquela sala era como se Susan não estivesse lá. Seu corpo era como um artefato. Estava o corpo, mas não ela. E eu estava mais no papel de uma fotógrafa."

Enquanto procurava as fotos para a exposição, Leibovitz chorava constantemente. De certa forma, prepará-la ajudou-a a superar a dor das duas perdas que sofreu. "As imagens de Susan me ajudaram a superar sua morte. Tive a sorte de reviver todos esses sentimentos e perceber tudo o que tinha recebido de minha família, de meus pais, minhas filhas. Até hoje, ao ver a instalação nesta sala, me comove ver as fotos de meu pai, de minha mãe. Há muito amor neste trabalho. Para mim são como provas do que me deram."

Foto de Leibovitz

  • Annie Leibovitz

    O ex-presidente da ex-União Soviética Mikhail Gorbachev passa pelo muro de Berlim, para campanha publicitária da Louis Vitton em 2007

Um ciclo de vida e morte que teve em 2001 um feito para Leibovitz, com o nascimento de sua primeira filha. Nas fotos em que Sontag segura o bebê, parece que a escritora dá as boas-vindas a uma vida antes de despedir-se. Em 2005, graças a uma mãe de aluguel, chegaram as gêmeas Susan e Samuelle. Por que esse desejo de procriar apesar das convenções?

"Eu era uma de seis irmãos e cresci no princípio de que a família era o mais importante. Mas a vida me comeu, e o fiz quando tive a possibilidade, aos 50 anos. Estou no melhor momento de minha vida e sei que o resto dela vai girar em torno das meninas, e isso é muito importante. A única coisa que nunca pensei é que ocupariam tanto tempo de minha existência. Procuro estar com elas todo o tempo possível."

Organizadores da exposição na Espanha confirmam essa atenção; a fotógrafa atrasou em um dia sua viagem porque uma das meninas estava doente.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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