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27/06/2009

Linha-dura do Irã pede pena de morte para os chefes da revolta

El País
Ángeles Espinosa Em Teerã (Irã)
Pena de morte para os líderes dos protestos contra a reeleição de Mahmud Ahmadinejad e mais controles para a imprensa estrangeira. Foi o que pediu na sexta-feira o aiatolá Ahmed Khatami do púlpito da pregação de sexta-feira na Universidade de Teerã. Khatami (sem relação com o ex-presidente Mohamed Khatami) é um aliado fiel do líder supremo e de Ahmadinejad. Suas palavras refletem o empenho dos ultraconservadores em não ceder. Mas em uma nova demonstração das divergências na cúpula religiosa, o grande aiatolá Naser Makarem Shirazi fez um apelo à "reconciliação nacional".

  • EFE

    Iranianos residentes em Dubai (Emirados Árabes Unidos) acendem velas em homenagem a Neda Agha-Soltan, iraniana morta durante protestos contra o resultado das eleições presidenciais que reelegeram Mahmoud Ahmadinejad

"Quero que o poder judiciário castigue os chefes dos baderneiros com firmeza e sem demonstrar nenhuma compaixão, para que sirva de lição a todos", disse o aiatolá Khatami. Para isso, sugeriu que a promotoria acuse os responsáveis de ser "mohareb", um termo árabe que na legislação islâmica (xariá) se aplica a quem combate contra Deus e é punido com a pena capital. Khatami, um dos clérigos mais conservadores da Assembléia de Peritos, também acusou os jornalistas estrangeiros de falsificar sua informação. "Vejam o assunto dessa senhora que foi assassinada e por quem Obama verteu lágrimas de crocodilo. Qualquer um que veja o vídeo percebe que foram os baderneiros que a assassinaram", disse.

Ele se referia à morte de Neda Agha Soltan, cuja agonia sangrando em uma rua de Teerã deu a volta ao mundo. Com o protesto de rua esmagado, o radicalismo de Khatami transmite a imagem de um cerramento de fileiras do regime em torno do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. No entanto, há sinais de que a cúpula religiosa está dividida e de que continua a luta interna, embora todos tenham interesse em mantê-la dentro das margens institucionais.

Foi o que lembrou o apelo à "reconciliação nacional" do grande aiatolá Shirazi, um dos mais influentes e fonte de imitação para grande número de xiitas. "Deve-se fazer algo para garantir que não fiquem brasas ardendo sob as cinzas e que as hostilidades, o antagonismo e as rivalidades se transformem em amizade e cooperação entre todas as partes", pede em um comentário no site da web PressTV.

Outro sinal das dificuldades que o líder está encontrando para impor sua visão ao setor crítico do regime são as hesitações do Conselho de Guardiães. Na noite de sexta-feira esse órgão de supervisão eleitoral anunciou a criação de uma comissão especial para investigar o polêmico resultado das eleições. A medida, que parece um gesto em direção do principal candidato da oposição, que havia pedido uma investigação independente, contrasta porém com as declarações prévias do porta-voz do conselho. Abbas Ali Kadkhodai havia qualificado as eleições de "as mais limpas" desde a revolução de 1979.

  • Arte UOL
Tradução: Lana LimTradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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