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27/06/2009

Mães iranianas se angustiam à espera de que filhos voltem para casa no fim do dia

El País
Ángeles Espinosa Em Teerã (Irã)
"Estou desde a madrugada telefonando para todo mundo que conheço em cargos públicos ou relacionados com o poder para que me ajudem a encontrar meu filho", disse na terça-feira de manhã D.H., à beira do desespero. Seu filho, um estudante da Universidade de Teerã de 24 anos, tinha sido detido na noite anterior em um dos protestos contra o resultado das eleições presidenciais do último dia 12. A mãe soube através de seus companheiros, mas ninguém sabia para onde ele fora levado.

  • EFE

    Iranianos residentes em Dubai (Emirados Árabes Unidos) acendem velas em homenagem a Neda Agha-Soltan, iraniana morta durante protestos contra o resultado das eleições presidenciais que reelegeram Mahmoud Ahmadinejad

Desde o início dos protestos, os mais graves sofridos pela República Islâmica desde sua fundação em 1979, as autoridades admitiram a detenção de 627 pessoas. Na última quarta-feira a Campanha Internacional pelos Direitos Humanos no Irã publicou os nomes de 240 que tinha conseguido identificar, entre eles uma centena de figuras políticas e 29 já libertos. O filho de D. H. não estava nessa relação.

"Para começar, você não sabe quem o detém, porque a maioria dos agentes não tem uniforme nem identificação", explica uma mãe de família que à noite não consegue dormir enquanto seus dois filhos não voltem para casa. "E se um dia não voltarem, aonde vou? Ninguém lhe telefona para dizer que os detiveram em tal lugar. Eventualmente, todos acabam em Evin, mas até que cheguem lá o que acontece com eles? É uma angústia que só quem já passou sabe o que significa."

J. é um deles. Esse jovem de 25 anos saía do trabalho na praça de Vanak no dia seguinte às eleições quando encontrou um manifesto organizado pelos partidários de Mir Hussein Moussavi. A surpresa de uma imagem tão incomum talvez tenha feito que demorasse mais que o devido em seu caminho até o táxi coletivo no qual iria para uma aula de idioma estrangeiro. Duas pessoas, que ele identificou como "basijis", o detiveram. De nada adiantaram seus protestos; esses milicianos voluntários que juraram dar sua vida em defesa da República Islâmica consideraram suspeita sua presença ali, o algemaram e vendaram seus olhos. Eram pouco mais de 3 da tarde.

A Campanha confirma que não é um fato isolado, mas a norma. "Segundo nossa informação, muitos foram detidos por agentes à paisana em suas casas ou em outros lugares, e não nos protestos, e transportados em veículos sem identificação, o que causa uma grande ansiedade em seus familiares sobre quem é responsável por sua segurança", afirma em seu site. A organização de direitos humanos também mostra preocupação pela ausência de mandados de prisão e a falta de informação sobre o paradeiro dos detidos a suas famílias. "Não sei para onde me levaram", continua J. "Era um escritório onde havia um computador. Ficaram me fazendo perguntas. Eu lhes disse onde trabalhava, que todos os dias saía na mesma hora, que duas vezes por semana ia às aulas e que por isso atravessava a área do manifesto naquele momento".

Foi difícil convencê-los. "No início parecia que não acreditavam em mim. Repetiam as perguntas várias vezes, até que finalmente me disseram que tinham minha ficha no computador, que sabiam que eu dizia a verdade, mas que havia um erro", relata com o medo ainda no corpo. Voltaram a lhe tapar os olhos, o colocaram em um carro e o soltaram na ponte de Hemmat, a cerca de 300 metros de onde o haviam detido, enquanto murmuravam uma desculpa confusa. Era meia-noite.

"Não, não me bateram", afirma J. No entanto, as nove horas de incerteza deixaram uma marca difícil de apagar. "O fato de mantê-lo incomunicável aumenta o risco de tortura, o que pode dar lugar a confissões forçadas que apoiem a tese oficial sobre as manifestações", afirma Aaron Rhodes, um porta-voz da Campanha. O filho de D. H. ainda não voltou para casa.

  • Arte UOL
Tradução: Lana LimTradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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