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30/06/2009

Paulo Coelho diz temer pela segurança de seu amigo Hejazi, o médico que socorreu Neda

El País
Juan Arias No Rio de Janeiro
Sua voz ao telefone parece firme, mas se percebe nela a preocupação do escritor brasileiro Paulo Coelho por seu amigo, editor no Irã e tradutor para o farsi, o médico Arash Hejazi, em cujos braços morreu a jovem Neda Agha-Soltan, a mártir dos protestos de rua em Teerã. O autor de "O Alquimista" ajudou Hejazi a sair do Irã, mas continua temendo pela vida de seu amigo e faz um apelo nesta entrevista às autoridades britânicas para que renovem seu visto, que expira dentro de um mês, e ele não seja obrigado a voltar ao Irã.

Paulo Coelho

  • Folha Imagem
El País - O que o senhor sentiu ao constatar no vídeo no YouTube que aquele médico inclinado sobre a jovem agonizante era seu amigo Hejazi?
Paulo Coelho -
Não acreditei que pudesse ser ele. Fiquei muito nervoso. Depois de ter-me levado para o Irã como meu editor, Arash acabou sendo um grande amigo meu, assim como sua mulher. Quando soube que era realmente ele, comecei a me mexer para ver como poderia ajudá-lo a sair de Teerã. Naquela noite não consegui dormir.

EP - Arash lhe pediu que se o matassem o senhor se responsabilizasse por sua mulher e seu filho. Ainda sente essa responsabilidade?
Coelho -
A primeira coisa que fiz foi falar com a mulher dele para lhe dizer que não se preocupasse, que eu estava com eles e disposto a pegar um avião e ir para seu lado. Mas me admirou sua integridade. Eu estava mais nervoso que ela. Ela comentou: "Paulo, a liberdade tem um preço". Agora ela e seu filho estão com ele na Inglaterra. O resto de sua família está no Irã.

"Neda morreu nas minhas mãos", conta doutor Hejazi

Em 20 de junho, depois das 18h30 em Teerã, a jovem Neda Agha-Soltan, de 26 anos, caiu abatida pelo disparo de um franco-atirador da milícia basiji durante um protesto contra o governo, depois das polêmicas eleições presidenciais. Assim que caiu, Neda foi atendida por um homem que tentou evitar que se esvaísse em sangue. Apesar de ser médico, aquele homem de 38 anos não conseguiu fazer nada: a bala havia cortado sua aorta e Neda morreu em menos de um minuto

EP - Ainda teme por eles?
Coelho -
Por enquanto não. Mas está recebendo muitas ameaças. Seu maior problema neste momento é que seu visto expira dentro de um mês e não sabe para onde ir. Teme que não o queiram renovar. E é claro que não deve voltar ao Irã. Estou intervindo para que as autoridades britânicas renovem seu visto. É um problema de justiça e de humanidade.

EP - Na sua opinião, qual é a melhor forma de ajudar o Irã neste momento?
Coelho -
Não esquecer que se trata de um movimento popular. Quanto menos os países intervierem, melhor. Creio que Obama é um exemplo do que todos deveriam fazer. Atuar com delicadeza e prudência, condenando todo gesto de violência, defendendo as liberdades e confiando na força intrínseca de todos os grandes movimentos populares de libertação. Devemos agradecer que Bush não esteja no governo neste momento crucial para o Irã. Os valores não podem ser impostos à força.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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