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02/07/2009

Pai da única sobrevivente do Airbus 310 conta sobre período que filha passou ao mar

El País
Antonio Jiménez Barca Em Paris (França)
Baya Bakari, a única sobrevivente, a adolescente de 13 anos que durante 12 horas se manteve viva no meio do mar, agarrada a um pedaço de fuselagem, transformou-se no símbolo vivo do acidente do Airbus 310 da Yemenia Airlines que na terça-feira à 1 da manhã (horário da Espanha) caiu no oceano Índico com 153 pessoas a bordo. Em uma cama de hospital em Morori, capital das ilhas Comores, Baya se recupera de seus ferimentos leves: uma fratura na clavícula, queimaduras em uma perna na altura do joelho e um hematoma no rosto. "Segundo ela me contou, não sentiu nada e de repente se viu no mar, ouvia vozes e depois deixou de ouvi-las", contou na quarta-feira o pai, Karim Bakari, a uma televisão francesa.

Baya Bakari

  • AFP

    Baya Bakari, a garota de 14 anos que sobreviveu à queda do Airbus A310 da companhia aérea Yemenia no Oceano Índico, recebe a visita do ministro francês Alain Joyandet. Baya foi encontrada perto do local onde o avião caiu, na costa de Comores, nadando em meio aos destroços do avião. Ela se recupera em um hospital de Moroni, em Cosmores, e os médicos dizem que ela sofreu cortes no rosto e teve uma clavícula quebrada

Pouco a pouco vão se conhecendo os detalhes da vida dessa jovem e de sua aventura: mora nas proximidades de Paris, quase não sabe nadar, é muito tímida e seu pai se surpreendeu com a capacidade de resistência que revelou. Sua mãe viajava ao lado dela e morreu. No início, segundo seu pai, não lhe contaram isso. "Ela dizia que sua mãe tinha sido posta em outro quarto", explicou o pai, que, por sua vez, escondeu a má notícia dos três irmãos pequenos.

A adolescente foi encontrada de madrugada a 40 km das ilhas Comores, flutuando abraçada a um pedaço do avião no meio de um mar agitado, rodeada de restos do naufrágio, segundo explicou na quarta-feira um participante dos trabalhos de resgate. Encontraram Baya tremendo freneticamente, com um princípio de hipotermia. "Nós lhe atiramos um salva-vidas, mas ela não teve forças para agarrá-lo. Tive de saltar para ajudá-la. Tremia muito. Colocamos quatro cobertores sobre ela, lhe demos água quente com açúcar, só lhe perguntamos seu nome e o nome da cidade em que havia nascido", explicou em uma rádio francesa esse membro da equipe de salvamento. A garota previsivelmente voltará nesta quinta-feira para Paris, onde será hospitalizada até sua completa recuperação.

Enquanto isso, continuam os protestos dos membros de comunidades de comorenses. Queixam-se das condições em que devem voar do Iêmen para seu país de origem. Qualificam os aviões em que os embarcam de "voos-lixo" e "caixões voadores". A companhia Yemenia Airlines anunciou que indenizará os familiares das vítimas com 20 mil euros.

Esse acidente ocorreu exatamente um mês depois que outro Airbus, com 228 pessoas a bordo, que fazia a rota Rio de Janeiro-Paris, caiu no meio do Atlântico.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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