UOL Notícias Internacional
 

03/07/2009

Com fim das colheitas de ópio e trigo, taleban retomam ofensiva militar

El País
David Beriain Em Herat (Afeganistão)
Os fuzileiros-navais americanos não são os únicos que se encontram em plena ofensiva. Os taleban também começaram a sua. Há um mês o mulá Mohamed Omar ordenou a seus fieis que intensificassem os ataques quando terminadas as colheitas de ópio e trigo. A primeira terminou no início de maio e a segunda em meados de junho. Uma vez livres de suas tarefas agrícolas, os taleban, muitos dos quais são combatentes sazonais, se lançaram à luta incitados pelo tórrido verão e os reforços recebidos durante o inverno. Os 50 graus registrados agora no sul do Afeganistão parecem ser o ambiente preferido pelos taleban para combater.

Os comandantes rebeldes advertem que a pressão será mantida até depois das eleições de agosto. "Vamos dobrar nossos ataques nas próximas semanas. Temos os recursos e os combatentes. Este verão, se Deus quiser, será duro para os estrangeiros", afirma Fateh Mohamed, o chefe taleban que em novembro coordenou o atentado suicida que matou dois soldados espanhóis em Herat.

Os resultados dessa ofensiva rebelde são visíveis hoje por todo o país. Não só pelo número de ataques contra as forças internacionais ou por sua crescente complexidade, mas pela sensação arrasadora de insegurança que se respira entre a população. Inclusive em lugares que até há pouco tempo eram considerados seguros.

"Eu vivo em Herat e agora ela parece uma prisão. Se quero viajar para Cabul ou qualquer outra cidade, tenho de fazê-lo de avião. Por terra, o mais seguro é que me sequestrem ou me matem", comenta um pequeno empresário afegão.

A direção dos taleban, chefiada pelo mulá Omar, se encontra em Quetta, no Paquistão, mas a coordenação da luta é realizada na província de Helmand, onde está a maior parte de seus comandantes. Dessa maneira, é de se esperar que os fuzileiros-navais encontrem uma forte resistência em seu avanço, tal como ocorreu com os britânicos, mobilizados ali desde 2006. No entanto, não é a resistência em Helmand o que mais preocupa os americanos. "Afinal, se ficarem e lutarem, os matamos e pronto", comentou na quinta-feira um experiente oficial americano. "O problema é que vão lutar em algum lugar onde tenhamos menos forças."

Esse pesadelo ameaça agora o oeste do país, onde estão baseadas as tropas espanholas. "Cada vez que nossos rapazes pressionam a torta pelo sul, o creme escapa pelas laterais. E aqui no oeste vamos ver muito disso nos próximos meses", comenta o coronel americano John Bessler, que comanda as equipes que treinam a polícia e o exército afegãos. Bessler tinha sob seu comando os dois espanhóis mortos em novembro.

Os serviços de inteligência ocidentais temem que as repercussões da operação em Helmand cheguem inclusive a áreas mais distantes, como província de Badghis, zona de responsabilidade do contingente espanhol. Ali, em redutos taleban como Bala Murghab, a situação é crítica. "Meus homens só podem se afastar da base cerca de 2 quilômetros. Mais além os taleban os atacam, certamente. Mas não temos os recursos que há no sul para combatê-los", disse Bessler.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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