UOL Notícias Internacional
 

03/07/2009

Saddam Hussein fez acreditar que tinha armas de destruição em massa por medo do Irã

El País
David Alandete Em Washington (EUA)
O ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, mentiu e permitiu que a comunidade internacional acreditasse que tinha armas de destruição em massa por medo de um eventual ataque do Irã, país vizinho com quem manteve uma guerra entre 1980 e 1988. Em uma série de 25 interrogatórios com o FBI, depois de ser capturado no Iraque em dezembro de 2003, o ditador revelou que nunca conheceu o chefe do grupo terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, e que pensava que ele era um "fanático".

O governo dos EUA suspendeu o segredo desses documentos em virtude da Lei de Liberdade de Informação e depois de um pedido formal da organização privada Arquivo de Segurança Nacional. "Apesar de Hussein ter dito que o Iraque não tinha armas de destruição em massa, a ameaça do Irã foi a maior razão pela qual não permitiu a volta dos inspetores da ONU. Hussein declarou que lhe preocupava mais que o Irã descobrisse as fraquezas e vulnerabilidades do Iraque do que as repercussões nos EUA por sua recusa a permitir que os inspetores da ONU voltassem ao Iraque. Na opinião dele, os inspetores poderiam ter indicado diretamente para o Irã onde infligir maior dano ao Iraque", segundo revela o resumo da transcrição de uma conversa com o agente do FBI George L. Piro, datada de 11 de junho de 2004.

As revelações do homem que presidiu o Iraque entre 1979 e 2003 contradizem diretamente muitos argumentos levantados pelo ex-presidente George W. Bush para invadir o país em 2003. Em suas conversas, Hussein se esforça para negar categoricamente qualquer relação entre seu governo e os atentados terroristas contra Nova York e Washington em 2001. Quando o agente Piro lhe pergunta por que não confiava na Al-Qaeda, "já que o Iraque e Bin Laden tinham os mesmos inimigos, os EUA e a Arábia Saudita", Hussein responde que "os EUA não eram o inimigo do Iraque".

O ditador derrotado na verdade se descreve como um governante secular e lembra que seu partido, o Baas, foi fundado por um cristão. As entrevistas refletem seu verdadeiro temor: o de um ataque por parte do Irã xiita dos aiatolás, que também qualifica de "fanáticos". Tanto os temia que se mostrou disposto a negociar "um acordo de segurança com os EUA para conseguir proteção das diversas ameaças na região".

Bush atacou e derrotou Hussein em 2003, com o apoio do Congresso americano e citando o perigo iminente de armas de destruição em massa, que o tempo demonstrou que não existiam. Nos meses anteriores à invasão, diversos membros de seu governo insinuaram em entrevistas e declarações públicas que o governo iraquiano tinha contatos diretos e constantes com a rede terrorista Al Qaeda, responsável pelos atentados de 2001, nos quais morreram 3 mil pessoas. "Hussein disse que os EUA utilizaram os ataques de 11 de Setembro como uma desculpa para atacar o Iraque. Os EUA tinham perdido a perspectiva das causas do 11 de Setembro", escreve o agente Piro em uma conversa de 28 de junho de 2004. O ditador nega ter aplaudido os ataques e lamenta que "a única opção que lhe deram então foi a de abandonar o Iraque, que não era uma opção viável". Dois anos e meio depois foi executado na forca, quando um tribunal iraquiano o declarou culpado por ter ordenado a matança de 148 xiitas em 1982.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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