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04/07/2009

Derrota sofrida pelos Kirchner provoca debates internos entre os herdeiros do peronismo

El País
Soledad Gallego-Díaz Em Buenos Aires (Argentina)
Como era de se esperar, a derrota de Néstor Kirchner nas eleições legislativas de domingo passado provocou uma debandada no Partido Justicialista (PJ) e entre os governadores peronistas, agora empenhados em preparar a batalha para as presidenciais de 2011 e em encontrar um novo líder com o qual se agrupar. A guerra também está latente no governo e entre os que apoiam a presidente Cristina Fernández de Kirchner, porque alguns querem uma mudança rápida e profunda no gabinete e outros preferem mover-se com calma.

  • Reuters

    Ex-presidente Néstor Kirchner, derrotado nas eleições da última semana, deixou a presidência do Partido Justicialista. Crise no partido provocou disputa entre presidenciáveis peronistas

A grande dúvida é saber se os Kirchner aceitarão negociar sua política, e as mudanças de governo, com os peronistas críticos ou se se encerrarão com seus seguidores e promoverão um novo gabinete de puros "kirchneristas". "A presidente tem uma semana para absorver a derrota", afirmou o senador Carlos Reutemann, um dos vencedores de domingo. Os outros dois grandes vencedores, Francisco de Narváez e Mauricio Macri, já começaram a se movimentar, realizando reuniões com diversos barões provinciais.

Kirchner tentou frear a ofensiva demitindo-se imediatamente da presidência do PJ e colocando em seu lugar Daniel Scioli, governador da província de Buenos Aires, que havia se arriscado ao entrar em suas listas como candidato testemunhal. No entanto, já surgiram muitas vozes pedindo que Scioli se demita, entre elas a do próprio Reutemann. Scioli afirmou que estava disposto a "reconstruir" o Partido Justicialista e que entabularia um rápido diálogo com os peronistas críticos, começando por Narváez e Reutemann, e com todos os governadores para envolvê-los no processo.

Não teve nem uma semana para tentar acalmar as águas. Reutemann fez declarações na quinta-feira rejeitando sua oferta. O fez inclusive com maus modos: "Scioli me ligou, mas não retornei a ligação porque estou ocupado com outras coisas". O senador por Santa Fe, que se postula como possível candidato presidencial para 2011, deixou claro que tentará desbancá-lo na presidência peronista.

Scioli era a melhor opção para Néstor Kirchner, porque teria permitido que "organizasse" sua sucessão e manipulasse fios internos, imprescindíveis para conservar algo de poder na estrutura peronista e garantir uma aposentadoria cômoda, tanto para ele como para a presidente. Os maus resultados obtidos na província de Buenos Aires, seu teórico feudo, ativaram todos os alarmes peronistas e fizeram que seus inimigos, como Eduardo Duhalde, voltassem a atacar para obter o controle total do partido.

A melhor maneira de analisar a reação dos Kirchner será comprovar que mudanças acabarão introduzindo no governo, que por enquanto continua frágil e inabalável, exceto pela demissão do secretário de Transportes, Ricardo Jaime, acusado em diversos processos por corrupção. Alguns dos seguidores de Kirchner querem uma virada na política econômica e uma aproximação dos empresários. Para isso seria preciso nomear um novo ministro da Economia, mas ninguém parece disposto a aceitar esse cargo se antes não sair o ministro do Comércio Interior, Guillermo Moreno, autêntica besta negra, não só da oposição radical mas também dos peronistas críticos.

"A presidente não vai imprimir uma virada à direita em sua política", afirmou em uma emissora de rádio um assessor presidencial. Os que defendem que o kirchnerismo é uma opção entre populista e de esquerda do peronismo, querem que o casal presidencial tente encontrar apoios fora do peronismo para os dois anos e meio de mandato que restam a Cristina Fernández, uma espécie de transversalidade que o próprio Kirchner ensaiou no início de sua presidência.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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