UOL Notícias Internacional
 

04/07/2009

O PRI se prepara para voltar ao poder no México

El País
Salvador Camarena Na Cidade do México (México)
O PRI de hoje tem muito pouco em comum com o de exatamente nove anos atrás. Naquela manhã de 3 de julho de 2000, o Partido Revolucionário Institucional, que governou o México durante sete décadas, era um gigante com cara de menino perdido. Na eleição da véspera, pacificamente, os mexicanos haviam derrubado seu próprio Muro de Berlim. Os priistas ainda teriam outra derrota presidencial, em 2006, para encontrar a fórmula que nas eleições legislativas do próximo domingo poderá confirmá-los no caminho do retorno ao poder máximo no México.

  • Reuters

    Mexicano passa de bicicleta diante de propaganda política do Partido Revolucionário Institucional

A derrota de 2000 partiu o eixo do PRI. A residência oficial de Los Pinos já não seria a sede para dirimir conflitos internos, distribuir parcelas de influência e decidir as candidaturas em todos os níveis. Depois da luta interna que provocou em parte a derrota de três anos atrás, surgiram os minipresidentes: governadores e legisladores se organizaram e formam um "politburo" que rege as decisões do partido.

A principal virtude desse esquema é que, por enquanto, os minipresidentes se entendem entre si. Em tempos eleitorais se emprestam cabos eleitorais, respeitam territórios ou inclusive se dão ao luxo de fazer campanha fora de seus estados. O expoente máximo dessa nova cultura, o governador do estado do México, Enrique Peña Nieto, projetou um ataque eleitoral ao centro do país que neste 5 de julho poderá derrubar históricos bastiões urbanos tanto do PAN (direita) como do PRD (esquerda).

Nesse retorno, o PRI praticamente duplicaria o número de seus deputados federais, o que, somado a alguma aliança simples com um partido satélite, lhe garantiria o controle absoluto da Câmara dos Deputados; recuperaria municípios chaves (Guadalajara, em Jalisco, Ecatepec e Naucalpan no Valle de México) e manteria o governo em estados estratégicos (como Nuevo León, no norte do país).

Mas tudo isso é só uma face do poliedro de 5 de julho. Uma foto que circula na Internet faz outra leitura do que para alguns está em jogo nesta jornada eleitoral. Na imagem se vê um estádio de futebol. Enfrentam-se Políticos e Cidadãos. A singularidade é que o campo não é horizontal. A metade que corresponde aos Políticos está no alto de uma inclinação de cerca de 30 graus. Qualquer ataque dos Cidadãos acabará em infarto do jogador que tente avançar contra a ladeira.

Seria uma simples brincadeira da Internet se não fosse porque nos últimos dois meses se multiplicaram os apelos anônimos e não tão anônimos para anular o voto, rejeitar o atual sistema de partidos através da emissão de um sufrágio que será descontado por não ter escolhido uma opção partidária (no México não existem candidaturas independentes).

Os que pedem para anular o voto conseguiram várias coisas: ser a parte mais animada de uma campanha descolorida; fazer que políticos irreconciliáveis entrassem em acordo para defender seus feudos desses hereges e abrir uma incógnita inédita: em 6 de julho será preciso divulgar também o número de votos nulos.

Sem o radicalismo dos "anulistas", outra das figuras do processo que termina no domingo é Alejandro Martí. Esse empresário sofreu há um ano a morte de seu filho adolescente nas mãos de um bando de sequestradores. Já havia desafiado o sistema ao gritar diante de todos os poderes, em uma reunião sobre insegurança no Palácio Nacional: "Se não conseguem, renunciem". Agora, através da recém-nascida organização México SOS, Martí rejeitou o voto, mas propôs que os candidatos assinassem em cartório uma série de compromissos para diminuir os índices de impunidade e reduzir o número de deputados e senadores. Duas centenas de candidatos correram a atender ao pedido do empresário.

Movimentos como o do voto nulo ou o México SOS questionam na reta final um processo eleitoral que desde a origem era polêmico. A ferida da tensa eleição presidencial de 2006, quando Felipe Calderón se impôs por apenas 250 mil votos, os partidos quiseram encerrar com uma reforma eleitoral que, entre outras coisas, limita a liberdade de órgãos públicos e de particulares para comprar espaços publicitários no rádio e na televisão.

E enquanto isso acontece no mundo eleitoral o México encerrou o primeiro semestre de 2009 com os piores números econômicos desde pelo menos 1932, quando o PRI dava seus primeiros passos. Os priistas pediram que acreditem em seu propósito de emenda no que se refere à corrupção e se apresentaram como os únicos que podem consertar a confusão que a economia e a insegurança provocaram. Resta ver se não acontece com os do PRI como seis anos atrás, quando saíram fortalecidos do processo de renovação legislativa de 2003, mas o aroma da proximidade de Los Pinos reavivou a necessidade de um líder único para impedir que se despedaçassem, como de fato aconteceu em 2006.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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