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07/07/2009

Berlusconi sofre críticas de diversas frentes às vésperas do encontro do G8 na Itália

El País
Miguel Mora Em Roma (Itália)
"A libertinagem alegre e irresponsável que invoca a palavra 'luxúria' e que à primeira ocasião faz apelos à moralidade não é um fato privado." Ao contrário, representa "um comportamento grave, sobretudo quando há menores envolvidos". A condenação explícita dos bispos italianos demorou a chegar, mas foi demolidora e muito inoportuna. O escândalo sobre a vida privada de Silvio Berlusconi está em seu ponto máximo, sua imagem internacional cada vez mais dilapidada, e chegam a Roma os líderes do mundo para o G8 de L'Aquila.

O primeiro-ministro italiano viveu um dia nefasto. A Igreja Católica rompeu seu silêncio 48 horas antes do G8 e lançou desta vez críticas duríssimas através do secretário-geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI), Mariano Crociata. "Assistimos a um desprezo absoluto pelo pudor, a sobriedade e o autocontrole", clamou o secretário da CEI.

A isso somaram-se novos tremores de terra nos Abrúzios - de até 3 graus na escala Richter -, que fazem temer uma possível transferência da cúpula na última hora. Se ocorresse um abalo de magnitude superior a 4, entraria em vigor o plano B, e o G8 - ampliado para 27 países - seria transferido para Roma.

Com o mundo bem informado sobre os escândalos, e o presidente russo Dimitri Medvedev como único aliado próximo, a cúpula se apresenta muito delicada para um Berlusconi que deve liderar as discussões sobre a crise financeira e os temas sociais: as novas regras para a economia global, mudança climática e energias alternativas e a fome no mundo são os grandes temas do encontro.

A Itália suspendeu temporariamente o Tratado de Schengen para evitar a chegada de manifestantes antiglobalização, mas na segunda-feira surgiram os primeiros protestos. A polícia prendeu de forma preventiva 21 pessoas por distúrbios ocorridos em maio passado, e em reação centenas de estudantes universitários ocuparam o reitorado de La Sapienza de Roma e seis outros campi.

O nervosismo é palpável nas fileiras da maioria e do governo, e Berlusconi emite sinais de sentir-se cada vez mais acossado. No domingo, uma nota da chefia do governo acusou a imprensa estrangeira de ter orquestrado uma campanha contra ele e atacou especialmente o "Sunday Times", propriedade de Rupert Murdoch, por anunciar que alguns jornais europeus publicarão novas fotos de Villa Certosa nas vésperas do G8. A nota tenta desacreditar o trabalho da imprensa estrangeira, salientando que recorre a "mentiras, fotomontagens digitais e manipulações".

Massimo d'Alema, presidente do Partido Democrático e ex-primeiro-ministro, indicou por outro lado que "fora da Itália, onde há uma imprensa livre, é totalmente evidente que o poder de Berlusconi começou a mostrar as primeiras rachaduras". D'Alema prognosticou que haverá "novos abalos" que colocarão o país diante de "cenários imprevisíveis", e que "a saída de Berlusconi será complexa e fragmentada. Ele não quer se demitir, mas está cada vez mais frágil".

Para acabar de arruinar a jornada do "Cavaliere", centenas de torcedores do Milan se manifestaram violentamente contra a política de transferências do clube de propriedade do magnata milanês.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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