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08/07/2009

Peronismo argentino e o PRI mexicano: dois dinossauros que nunca morrem

El País
Miguel Ángel Bastenier
Dois dinossauros transcendem as eras e as glaciações e apenas com tropeços aparentes seguem adiante e conseguem expressar um país, uma sociedade. Os dois, o peronismo na Argentina e o Partido Revolucionário Institucional (PRI) no México, participaram nas últimas semanas de eleições, a primeira para renovar um terço do Senado e a metade da Assembleia e a segunda para eleger os 500 deputados da Câmara. A diferença entre eles é que os mexicanos facilitaram uma ressurreição precoce do partido que governou o país durante quase todo o século 20, enquanto os argentinos continuam em sua eterna guerra interna, embora nem por isso a nação deixe de ser basicamente peronista.

Os Kirchner, herdeiros do peronismo

Na Argentina há meio século, e com as interrupções que o exército obrigou a observar, medem suas forças peronistas e os outros, e ocorre que quase sempre ganham os primeiros, só que com frequência costumam se opor não só aos adversários mas também entre eles próprios. Desta vez, o casal Cristina Fernández-Néstor Kirchner (a primeira, presidente, e o segundo até então chefe do partido), que representam o peronismo governista, foram severamente derrotados por várias coalizões total ou parcialmente integradas por peronistas. E o mais parecido com um ganhador foi o ex-campeão de fórmula 1 e governador de Santa Fe, Carlos Reutemann, o homem que até quando fala se cala e que se perfila como líder do peronismo diante das presidenciais de 2011. Junto dele também se pode contabilizar o fim do "kirchnerato", o plano que já foi atribuído a Néstor Kirchner de governar em dupla conjugal por 16 anos, oito para cada um.

O PRI, que se elegeu no último domingo no México, obteve com seus aliados mais da metade dos assentos, quase 9 pontos acima do PAN, a direita que detém a presidência, e a uma distância afrodisíaca do PRD, a esquerda radical hesitante. Em 2000 o partido perdeu a primeira magistratura para o PAN, e em 2006 os conservadores ratificaram essa vitória. Mas o PRI, embora só contasse com um quinto dos assentos, já era peça essencial do governo através de seus acordos com o presidente Felipe Calderón. E aí começou o regresso. Em 2007 ganhou as eleições em Tamaulipas, Puebla, Oaxaca e arrebatou Yucatán ao partido no poder; e em 2008, Quintana Roo, Nayarit, Guerrero, Coahuila e Hidalgo, o que o transformaria na única formação política com autêntica projeção nacional. O histórico partido se recompôs com a nomeação de Beatriz Paredes para sua presidência, que a socióloga da UNAM governa com tato e inteligência, acompanhada, embora talvez também um pouco vigiada, pelo governador do estado do México, Enrique Peña Nieto, e o chefe dos senadores do PRI, Fabio Manlio Beltrones.

Beatriz Paredes, presidente do PRI

Os dois partidos passaram por situações parecidas. O PRI estava habituado ao poder, e as derrotas de 2000 e 2006 produziram uma grave dispersão de efetivos. Hoje estamos diante de um agrupamento de federações de províncias, que a direção sabe manter coesas à espera da grande liturgia, a escolha do candidato presidencial. Se o PRI acertar colaborar com Calderón na luta contra o narcotráfico e contribuir para cruzar esse obstáculo que é passar de deter narcotraficantes a deter os altos funcionários que azeitam todo o processo, terá uma excelente oportunidade nas presidenciais.

O justicialismo argentino, de forma ainda mais extrema, é uma confederação magmática de sensibilidades tão diversas que aí encontra tanto sua fragilidade quanto sua força. O peronismo, mais que um partido, é um gene ao qual se pode afiliar qualquer argentino, desde que o sinta emocionalmente. Eu o PRI é o partido que sintetizou os resultados da revolução de 1910, decisivo na criação do México que conhecemos, desde a cinematografia nacional a uma posição no mundo que em sua época foi considerada progressista. Esse PRI, é claro, não governava em democracia, carreira que teve de cursar durante uma transição que provavelmente ainda não concluiu, mas o partido do grande Vasconcelos volta. Peronismo e priismo atravessaram o mar das trevas porque encarnam uma realidade quase impossível de definir à distância. México e Argentina são em grande parte sua obra; são países que se fizeram a si mesmos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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