UOL Notícias Internacional
 

09/07/2009

Fazendo amigos: na Rússia, Obama se encontrou com Medvedev, Putin, Kasparov e Gorbachev

El País
Pilar Bonet e Antonio Caño
Em Moscou (Rússia)
Barack Obama foi receptivo na terça-feira à personalidade e ao peso político de Vladimir Putin. A primeira reunião do presidente americano com o chefe de governo da Rússia foi mais longa e substancial do que se previa quando os dois estadistas se reuniram para o café da manhã na residência de Novo-Ogarevo, nas proximidades de Moscou. Em vez da hora planejada, passaram duas, a pedido de Obama, que quis "garantir que havia se formado a base da relação", segundo fontes do governo americano.

O debate "franco" e "extremamente interessante" se concentrou nos "temas chaves de segurança", indicaram as fontes. Falou-se sobre o escudo antimísseis, Irã, Ucrânia e Geórgia, assuntos em que há desacordos, mas também sobre os desejos de continuar o debate. Em geral o diálogo se concentrou em "como evitar os erros cometidos nos oito anos anteriores", disse Yuri Ushakov, alto funcionário governamental e ex-embaixador em Washington. Putin e Obama concordaram, segundo ele, em continuar no futuro esse tipo de conversa de caráter conceitual.

Obama dedicou grande parte do dia à sociedade civil e à tarde se reuniu com políticos da oposição parlamentar e extraparlamentar - incluindo o enxadrista Gari Kasparov -, que lhe apresentaram temas como o julgamento do magnata Mikhail Khodorkovski, a liberdade de expressão, os presos políticos, as agressões e prisões nas manifestações, segundo disse Vladimir Rizhkov, um dos participantes.

O canal estatal de televisão Russia Today, destinado ao público estrangeiro, reiterou sua propaganda contra Kasparov e disfarçou a informação sobre o encontro de Obama com os líderes da oposição. Três ativistas foram detidos ao tentar organizar um piquete, segundo o serviço de imprensa de Kasparov.

Na visão de Obama, Putin deixou de estar a meio caminho entre o passado e o presente. Agora Obama "está convencido de que o primeiro-ministro é um homem de hoje e que tem os olhos firmemente postos no futuro", afirmaram fontes oficiais americanas, avaliação com que concordou Dimitri Peskov, o chefe de imprensa do governo russo. O presidente americano parece ter situado Putin como um fator chave na relação bilateral, e o fez com delicadeza em relação a Medvedev, ao qual disse que o enfoque do primeiro-ministro era "muito semelhante" ao seu. Contudo, sua opinião talvez não seja lisonjeira. "Está permanentemente preocupado com o papel da Rússia no mundo e desconfia dos EUA", disse Obama a jornalistas da NBC, segundo a agência russa Itar-Tass. "Tende ao pragmatismo e sua visão do mundo se caracteriza pela ausência de sentimentalismo", acrescentou.

"Estou consciente do extraordinário trabalho que o senhor fez pela população russa como presidente do país e do que continua fazendo como primeiro-ministro", declarou Obama a Putin na terça-feira. "Ao seu nome vinculamos a esperança de desenvolvimento das relações bilaterais." "Não estaremos de acordo em tudo, mas podemos discutir os temas em um tom de respeito mútuo."

Depois da troca de frases de cortesia, Putin e Obama saíram para um terraço para comer esturjão defumado e caviar com ovo junto a um samovar. Enquanto Obama ia de uma comemoração a outra, Putin vestiu uma jaqueta de couro preta e visitou motociclistas que partiam em peregrinação à Ucrânia.

No que se refere ao espaço pós-soviético, Obama prometeu "considerar as particularidades" da vizinhança da Rússia com esses países, segundo Ushakov. Putin, por sua vez, "apresentou alguns argumentos" que permitiram a Obama "compreender melhor a situação" da Ucrânia, país onde vivem 17 milhões de russos e que é extraordinariamente importante para a Rússia. Sobre a Geórgia, o russo explicou que o presidente Mikhail Saakashvili interpretou de forma errada a política e o apoio dos EUA às vésperas da guerra do ano passado. Obama não está satisfeito com o nível de colaboração com a Rússia na questão do Irã e opina que poderia ser "mais ativa".

Medvedev não acompanhou Obama no encontro com representantes de organizações não-governamentais dos dois países, diante dos quais falou sobre sua própria experiência em Chicago e disse que "no passado os EUA tiveram mais tendência a dar lições que a escutar". "O futuro da Rússia depende dos russos. Nem tudo o que é bom para os EUA será bom para a Rússia. Nem todos os modelos são transplantáveis, mas há princípios universais."

Obama também se reuniu com o ex-presidente russo Mikhail Gorbachev e participou com Medvedev de uma cúpula de empresários. Nesta, disse que o comércio bilateral dos EUA com a Rússia é de US$ 36 bilhões e representa 1% do comércio total norte-americano. Medvedev insistiu que a Rússia ainda quer ingressar na Organização Mundial do Comércio, apesar de sua decisão de fazê-lo conjuntamente com a Belarus e o Cazaquistão.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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