UOL Notícias Internacional
 

11/07/2009

Arias tenta limitar a intransigência dos dirigentes de Honduras

El País
Álvaro Murilo
Em San José (Costa Rica)
O presidente da Costa Rica, Óscar Arias, tenta conseguir que duas estátuas se abracem. Em sua residência particular, o prêmio Nobel da Paz de 1987 pretendia promover na quinta-feira uma aproximação de seus dois colegas hondurenhos: Manuel Zelaya, o derrotado, e Roberto Micheletti, que exerce há dez dias o poder em Tegucigalpa sem uma única voz de apoio da comunidade internacional, mas com o respaldo de todas as instituições do país.

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As expectativas se chocaram, porém, com as posições intransigentes de Zelaya e Micheletti, a ponto de que nem chegaram a se encontrar. Ambos se reuniram com o presidente de Costa Rica separadamente.

O governante deposto chegou na quarta-feira, e na quinta ao meio-dia iniciou sua audiência com Arias depois de ter descartado qualquer disposição a negociar, exigindo seu retorno incondicional ao poder e, como se alguém duvidasse de sua opinião sobre Micheletti, chamando-o de "criminoso".

Acompanhado por uma comitiva de 22 pessoas, incluindo militares, o presidente de fato aterrissou em San José na quinta-feira de manhã com uma mensagem menos violenta, mas não menos firme. Depois de se apresentar como "o presidente constitucional de Honduras", Micheletti disse: "Confiamos plenamente em encontrar a solução no âmbito de nossa Constituição, que garanta as liberdades e uma democracia sólida".

Micheletti soube imediatamente que Zelaya se encontrava com Arias e preferiu então ficar no aeroporto, à espera do que acontecesse a 7 km de distância. "Medidas de segurança" foi o argumento. Então Arias enviou seu irmão Rodrigo, ministro da Presidência. Só quando terminou a conversa entre Arias e Zelaya, Micheletti aceitou abandonar as instalações aeroviárias para se reunir durante três horas com o presidente costarriquenho. Ao fim da entrevista, dirigiu-se ao aeroporto para voar a Tegucigalpa. Voltará, afirmou, quando Arias o convocar de novo. Seu lugar nas negociações será ocupado por uma "comissão de diálogo" formada por quatro membros, entre eles o ex-chanceler Carlos López.

Zelaya, que continua na Costa Rica, também delegou uma comissão, segundo informou a ministra local da Comunicação, Maye Antillón, que afirmou que a agenda de contatos continua conforme o previsto, "sem limite de tempo". A única coisa que não se conseguiu, disse Antillón citando Óscar Arias, foi o encontro de Zelaya com Micheletti.

Todos são desafios para a tentativa de diálogo que Arias promove, contente em reviver o destaque internacional que teve nos anos 1980, quando os conflitos armados sangravam a América Central.

Com todo o dispositivo diplomático em alerta e acompanhado por pessoal da Organização dos Estados Americanos (OEA), Arias tentou não ferir sensibilidades nem matar antes do início qualquer possibilidade de acordo entre as partes. Teve o cuidado de advertir que daria a ambos tratamento igual de presidentes. Um é "o eleito pelo povo" e o outro o "em exercício", disse na véspera.

E foi assim. Todo o protocolo foi ativado para atender aos dois por igual. Ambos foram recebidos pelo chanceler Bruno Stagno; ambos receberam o mesmo serviço de segurança e a ambos se pediu flexibilidade, embora nenhum a tenha. "Venho escutar, através do mediador, o que tem a dizer o golpista", salientou Zelaya na quarta-feira, pouco depois de desembarcar no aeroporto.

Dois dias é o prazo estabelecido por Arias de maneira preliminar para conseguir algum acordo. O retorno de Zelaya? Uma anistia? Eleições adiantadas? A solução depende da vontade dos dois presidentes de Honduras, advertiu o mediador. Tão incerto era o método que utilizaram para concretizar um eventual acordo quanto o acompanhamento e a instituição que garantirá seu cumprimento.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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