UOL Notícias Internacional
 

11/07/2009

China reinstaura toque de recolher e fecha mesquitas

El País
José Reinoso
Em Urumqi (China)
A pequena mesquita de Baitulla, situada em uma ruela miserável no bairro uigur de Urumqi, capital de Xinjiang, está com o portão fechado. Várias dezenas de homens, alguns deles de barba e o gorro bordado típico dessa minoria muçulmana do oeste da China, permanecem em pé junto a seus muros vermelhos. Têm o semblante grave. Sentado em um tamborete, um idoso rompe o silêncio: "Hoje as mesquitas não abrirão. Não haverá a oração de sexta-feira. Disseram que é para nossa segurança". "Não querem que se reúnam grandes grupos de pessoas", acrescenta outro homem.

As autoridades chinesas fecharam nesta sexta-feira os templos muçulmanos e impuseram o toque de recolher em Urumqi, sacudida desde domingo passado por violentos confrontos entre membros das etnias uigur e han. O choque étnico e a intervenção da polícia deixaram 156 mortos, segundo o governo, e entre 600 e 800, segundo as organizações de uigures no exílio. Mais de mil pessoas ficaram feridas. Mais de 1.400 foram detidas.

O exército ocupou as ruas. E embora a situação tenha começado a se normalizar continua existindo uma forte tensão. Os uigures têm medo dos han e vice-versa, e os uigures também temem os militares, quase todos han.

Casebres, barracas que vendem melancias, vendedores de sapatos, cabeleireiros com velhas poltronas brancas e lojas de quinquilharia rodeiam o solo empoeirado em volta de Baitulla. Nesse bairro vive muita gente cujos parentes foram detidos. Não têm notícias deles. "Os soldados levaram meu filho de 25 anos e não sei o que aconteceu com ele", disse entre soluços uma mulher de cerca de 50, a cabeça coberta com um lenço, na escada escura de um bloco de apartamentos em ruínas. "Vieram e detiveram muitos. Alguns tinham só 15 anos", afirma outro morador, enquanto baixa a voz e olha para os lados.

Milhares de soldados antidistúrbios e grupos de operações especiais patrulham a cidade. Tanques leves ocupam os pontos mais delicados, como a mesquita situada perto do grande bazar, que tem as portas fechadas. Em um dos minaretes vigiam dois soldados. Para os uigures é um insulto. "Se pudesse eu os atiraria lá de cima", diz um jovem enfurecido.

A ira dos fiéis forçou a abertura de alguns templos durante poucos momentos. Nas portas da Mesquita Branca, Mamam Niyaz, 64 anos e longa barba branca, se atira ao chão e começa a rezar, cercado de aproximadamente 500 pessoas. Vários guardas o expulsam. "Hoje é sexta-feira, dia de oração", exclama, levantando os braços. As vozes sobem de tom, até que sai um homem do templo, fala com outro na rua e abre o portão. Uma centena de homens aliviados entra na mesquita.

Algumas horas depois a cancela está novamente fechada. Cerca de 50 pessoas protestam contra as detenções de parentes. O grupo cresce e começa a se dirigir gritando para o bairro han. Em questão de minutos, várias centenas de policiais antidistúrbios se posicionam, expulsando vendedores e jornalistas, três dos quais acabam detidos por filmar a prisão dos uigures.

Durante todo o dia caminhões com alto-falantes pedem calma. Mas milhares de habitantes da cidade, tanto han como uigures, decidiram deixar Urumqi pelo temor de novos incidentes. O Politburo, órgão máximo de poder do Partido Comunista Chinês, se comprometeu a "manter a estabilidade" em Xinjiang.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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