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18/07/2009

Holanda apela para o trabalho duro para combater a crise no 500º aniversário de Calvino

El País
Isabel Ferrer
Em Haia (Holanda)
Você se sente responsável por seus atos e considera uma obrigação moral aplicar a liberdade individual ao bem comum? Acredita que todos deveríamos participar do bem-estar social, em vez de alguns enriquecerem às custas de muitos? Então você é um pouco calvinista. Ou no mínimo compartilha os valores mais atraentes da doutrina promovida por Jean Cauvin (nascido em Noyon, França, em 1509, morto em 1564 em Genebra, Suíça), o teólogo da Reforma cristã, mais conhecido como Calvino.

  • Salvatori de Nolfi/EFE

    Estátua do teólogo francês João Calvino, em Genebra, na Suíça

Tradicionalmente associado à Holanda, apesar de nunca ter visitado o país, a crise econômica o devolveu à vida pública nacional no 500º aniversário de seu nascimento. Uma reaparição apadrinhada pelo primeiro-ministro democrata-cristão, Jan Peter Balkenende. Calvinista, como também seu ministro das Finanças, o social-democrata Wouter Bos, e o ministro da Família e da Juventude, André Rouvoet -, o triunvirato que hoje governa em coalizão -, o mandatário apelou para a austeridade para se recuperar da crise financeira mundial.

"Essa crise é também de caráter moral e foi criada pela ganância, a preocupação pelo dinheiro e o egoísmo", disse Balkenende durante a cerimônia nacional dedicada a comemorar o aniversário de Calvino. Ao apresentá-lo como um "reformador social, e não só religioso", o político lhe atribuiu "as qualidades que me inspiraram e sustentaram em tempos difíceis: pensamento em longo prazo, poupar para as futuras gerações, sobriedade e ética profissional". Todo um decálogo que, traduzido para a linguagem comum, poderia ser aplicado à sociedade holandesa em seu conjunto.

Mas o que se entende na realidade por calvinismo? E, sobretudo, até que ponto se pode chamar de calvinista um país onde 40% da população se declaram não-religiosos, contra 28% que se consideram católicos, 19% protestantes e 5% muçulmanos?

Jan de Bruijn, catedrático de história política, tentou esclarecer a questão no jornal de inspiração cristã "Trouw". Na opinião dele, o calvinismo é associado cada vez menos a uma corrente religiosa. "De sua outra vertente essencial, a que sustentou a luta durante a Guerra dos 80 anos contra a Espanha e conduziu à independência do Estado holandês, o grande público sabe pouco." Sim, há "alguns valores de esforço, simplicidade e sobriedade aos quais se atribuem vantagens que às vezes beiram a caricatura", acrescenta. Como exemplo, lembra o grito do antigo primeiro-ministro Wim Kok, ao se definir como "social-democrata e calvinista" quando falava de contenção orçamentária.

No entanto, apesar de Calvino ter estabelecido sua doutrina em Genebra, e de a maioria dos holandeses ignorar que sua rigidez teológica o levou a queimar na fogueira o intelectual espanhol Miguel Servet, nem tudo é severidade. No ano de Calvino também há exposições, concursos fotográficos e suvenires clássicos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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