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18/07/2009

Moscou deve explicar o assassinato de outra importante crítica dos desmandos na Chechênia

El País
Poucas coisas têm menos consequências na Rússia do que o assassinato dos que denunciam com documentos o desprezo imperante pelos direitos humanos. Aconteceu há três anos com a jornalista Anna Politkovskaya, que não foi a primeira mas sim a mais proeminente, e continua acontecendo com ativistas, jornalistas e advogados, sem que ninguém tenha sido condenado por isso. Agora foi a vez de Natalia Estemirova, contumaz investigadora dos abusos da ditadura chechena, que foi sequestrada em Grozni e assassinada a tiros. Com ela desaparece uma crucial fonte de informação independente sobre o regime de terror imposto por Ramzan Kadirov, o homem do Kremlin na Chechênia.

  • Yelena Ignatieva /EFE

    Homem acende velas próximo a uma foto de Natalia Estemirova, em São Petersburgo (Rússia)

Na Rússia e em suas repúblicas-fantoches, sobretudo nas mais instáveis do norte do Cáucaso, instalou-se a cultura da impunidade criminosa. Assim como sua amiga Politkovskaya, Estemirova denunciava alto e claro para a organização pró-direitos humanos Memorial, a mais antiga da Rússia, os desmandos contra civis do regime da Chechênia, região que Moscou declarou pacificada, mas na qual impera a violência e se sucedem os ataques de rebeldes islâmicos, assim como nas repúblicas limítrofes Ingúchia e Daguestão.

A ativista assassinada tinha sido ameaçada pelo presidente Kadirov, ex-rebelde agora a serviço do Kremlin, que na quinta-feira lamentou sua morte e prometeu justiça. Outros críticos menos notórios do líder checheno, ao qual Moscou deu recentemente plenos poderes antiterroristas na Ingúchia, foram liquidados recentemente em lugares tão díspares quanto Viena, Istambul ou Dubai. Estemirova também era amiga e colega de um advogado e uma jovem jornalista ligados à Chechênia, que foram mortos a tiros em janeiro em Moscou, à luz do dia, por um pistoleiro que também não foi encontrado pela polícia.

O assassinato de Natalia Estemirova dirige novamente o foco para a necessidade urgente de que a Europa e os EUA, que na quinta-feira manifestaram sua indignação, coloquem o tema dos direitos humanos no centro de qualquer diálogo com Moscou. A Rússia continua sendo, com Vladimir Putin transformado em primeiro-ministro e Dimitri Medvedev elevado nominalmente à presidência, o mesmo país que um ano atrás, onde as televisões estão sob o férreo controle do governo, as eleições são qualquer coisa menos confiáveis, a atividade política crítica é perigosa e o poder Judiciário - como mostra o caso Khodorkovsky - escreve o que o Executivo dita. Um lugar onde, em vista dos fatos, as reiteradas promessas de Medvedev de instaurar o império da lei são falsas.

Tanto para a UE quanto para os EUA - onde Barack Obama joga nestes dias com a idéia midiática de zerar o contador nas densas relações entre Washington e Moscou -, uma Rússia democrática representaria um parceiro muito mais confiável, estável e previsível que a autoritária atual. Quer se trate de gás natural ou de mísseis.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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