UOL Notícias Internacional
 

21/07/2009

Índia e EUA selam uma nova parceria nas áreas militar, espacial e científica

El País
Ana Gabriela Rojas
Em Nova Déli (Índia)
A Índia e os EUA deram na segunda-feira (20) um passo de gigante na aproximação recíproca e ficaram ligados por três importantes acordos em matéria militar, espacial e científica. Os chefes da diplomacia dos dois países, S. M. Krishna e Hillary Clinton (foto abaixo), durante a visita desta a Nova Déli, assinaram um acordo que facilitará a modernização do exército indiano e permitirá que Washington supervisione o uso final da tecnologia que será transferida para essa potência asiática emergente, impedindo qualquer vazamento para outro país.

  • Reuters/B Mathur
Depois do pacto nuclear firmado pelo último governo Bush, a Casa Branca descongela agora um embargo de armas que tem mais de 30 anos, desde o tempo em que a Índia testava suas primeiras armas nucleares, com Indira Gandhi. Os EUA dão assim uma grande ajuda às companhias americanas como Lockheed Martin e Boeing para competir no promissor mercado indiano. Nova Déli pretende adquirir nos próximos cinco anos 126 aviões de combate.

Mas esses aviões avançados representam apenas um terço do gasto de cerca de US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 60 bilhões) que Nova Déli prevê destinar até 2014 para modernizar o equipamento de suas forças armadas, cujo armamento procede em boa parte da extinta União Soviética. Atualmente seu principal provedor continua sendo Moscou, que detém 70% do mercado, seguida de Israel.

Em uma entrevista coletiva conjunta no final de sua primeira visita oficial à Índia, que durou cinco dias, e na qual, segundo Clinton, se obteve uma "aproximação estratégica integral", a secretária de Estado americana também anunciou que foram designados dois locais para a construção por empresas americanas de duas usinas nucleares. Esses projetos representam US$ 10 bilhões, número atraente em tempos de crise. Por isso Clinton não levou em conta as críticas que os grupos pacifistas fizeram para que ela pressionasse a Índia a assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

Várias empresas europeias e russas também pretendem conseguir pelo menos uma parte da suculenta torta que se cozinha na Índia. Não só para construir centrais nucleares como também para renovar os caças. A Rússia apresentou seus MiG-35; a França compete com a companhia Dassault; a Suécia com o Saab JASD-39 Gripen e Reino Unido, Alemanha, Itália e Espanha com o Eurofighter Typhoon, informa a agência Reuters.

Durante sua passagem pela capital financeira da Índia, Mumbai (antiga Bombaim), que sofreu em novembro passado uma série de atentados terroristas que deixaram mais de 170 mortos, Clinton defendeu uma aproximação entre a Índia e o Paquistão.

Os dois países, inimigos históricos e detentores de armamento nuclear, atravessam um novo período de tensão, em que Nova Déli acusa Islamabad pela chacina. De acordo com os analistas, os EUA estão interessados na melhora das relações entre os dois vizinhos, para favorecer que Islamabad se concentre na luta contra os taleban. Atribui-se à influência de Washington o fato de que na semana passada, no Cairo, os primeiros ministros da Índia e do Paquistão se reuniram e, coisa rara, deixaram-se ver juntos e sorridentes diante das câmeras de televisão.

Na questão do meio ambiente, os grupos ecologistas sofreram um grande revés com a aceitação explícita de Hillary Clinton de que não pressionará a Índia para que estabeleça um teto para suas emissões de carbono. "Os EUA não farão nada que limite o progresso econômico da Índia. Acreditamos que seu progresso é do interesse de todos, não só dos indianos", declarou Clinton. Antes ela havia escutado o conhecido discurso indiano, desta vez pela boca do ministro do Meio Ambiente, Jairam Ramesh, de que o país, que vive um intenso crescimento econômico, não está disposto a comprometê-lo. Menos ainda quando os responsáveis pela mudança climática são os países desenvolvidos, encabeçados pelos EUA.

Clinton também se reuniu, além de seu homólogo, com os líderes máximos indianos, entre eles o primeiro-ministro Manmohan Singh, a presidente do Partido do Congresso (no governo), Sonia Gandhi, e o líder da oposição nacionalista hindu, Lal Krishna Advani.

Os analistas viram na visita um "claro flerte" dos EUA com a Índia, como seu novo e grande aliado na região.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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