UOL Notícias Internacional
 

21/07/2009

Obama aposta alto na reforma do sistema de saúde nos EUA

El País
Antonio Caño
Em Washington (EUA)
Se esta semana decisiva for resolvida favoravelmente, os EUA poderão estar a poucos dias de distância de uma legislação histórica para dar cobertura de saúde a todos ou quase todos os norte-americanos. Mas antes disso será preciso que o presidente Barack Obama convença os congressistas de seu próprio partido de que a fatura desse gigantesco projeto não vai representar um lastro para a economia do país durante várias gerações.

  • Reuters;Jason Reed

    Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, participa de uma reunião com especialistas da área de saúde em um centro de pediatria de Washington (EUA), nesta segunda-feira (20)

O presidente não tem outro assunto em sua agenda neste momento. Toda a administração está dedicada a essa reforma. O país inteiro vive pendente de uma iniciativa que, no dia em que se comemora a chegada do homem à lua, pode representar a maior epopéia desde então.

Em um país que gasta em saúde o dobro de qualquer outra nação desenvolvida, e no entanto deixa mais de 40 milhões de cidadãos sem cobertura e presta um pobre serviço a muitos outros milhões, é fácil imaginar a expectativa diante do que está prestes a acontecer.

Barack Obama se comprometeu a que essa lei entre em vigor antes do fim do ano. Para isso, pediu aos legisladores que a votem nas duas câmaras antes das férias, que começam em 1º de agosto. Alguns se queixaram dessa precipitação, mas o presidente acredita que se se perder este momento, dado o volume de interesses a conciliar, se perderá a oportunidade para muitos anos mais.

Portanto, vivem-se horas de máxima intensidade no Capitólio, onde diferentes comissões de congressistas, tanto na Câmara dos Deputados como no Senado, buscam um acordo sobre os aspectos mais polêmicos da lei, especialmente no que se refere a seu financiamento.

O Escritório de Orçamento do Congresso, órgão bipartidário cujos diagnósticos gozam de plena autoridade, advertiu na semana passada que o projeto de reforma da saúde atualmente em consideração na Câmara elevaria o déficit nacional em US$ 239 bilhões até 2019.

Obama rejeita esse cálculo. Ele garantiu que é capaz de oferecer cobertura de saúde quase universal com o dinheiro que será poupado dos abusos e desperdícios que existem hoje no sistema - especialmente por parte das seguradoras -, e prometeu que não assinará qualquer lei que represente um aumento do déficit.

Mas alguns em seu próprio partido não acreditam nisso, e hoje está difícil para o presidente contar com os votos necessários para levar adiante a reforma, especialmente no Senado. Muito mais difícil ainda será que essa lei seja aprovada, como teria sido o desejo de Obama e o lógico diante de sua importância, com apoio bipartidário. Os republicanos acusam Obama de ser o presidente mais esbanjador da história e estão aproveitando o debate sobre a reforma da saúde para reforçar essa crítica.

Os cidadãos, por sua vez, combinam o entusiasmo pela reforma com o temor de um aumento desenfreado do déficit. De tal maneira que a credibilidade de Obama nessa questão está começando a se ressentir consideravelmente. Segundo uma pesquisa publicada na segunda-feira por "The Washington Post" e pela rede ABC, somente 49% dos americanos hoje apoiam a condução do presidente nesse problema.

A sentença definitiva do público virá, é claro, nas eleições legislativas de novembro de 2010, nas quais o tema da saúde provavelmente ocupará um papel muito relevante. Por isso Obama pretende que então já se comecem a sentir os efeitos positivos da reforma.

Para os americanos, embora critiquem sem contemplações seu sistema de saúde atual, a passagem para um novo modelo representa um salto no vazio. O medo do desconhecido assusta grande parte da sociedade e serve de caldo de cultivo para alguns extremistas, que falam sobre a adoção de um sistema de saúde socialista.

A aprovação da lei deveria dissipar alguns desses temores, pois há muitos extremos importantes ainda à espera de decisão. Haverá finalmente um plano público de saúde em concorrência com os seguros privados? Serão estes últimos obrigados a atender pacientes sem as abusivas limitações atuais, como a das doenças preexistentes?

Tudo isso ainda deve ser resolvido nas complexas etapas legislativas pendentes. Mas antes é preciso que Obama dê provas mais convincentes - ele convocou uma entrevista coletiva para amanhã - de que esse projeto, embora possa ser muito nobre, não acabará arruinando o país.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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