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22/07/2009

Grécia aparece como nova porta de entrada para imigrantes na Europa

El País
María Antonia Sánchez-Vallejo
Em Madri (Espanha)
As fronteiras da Europa com a Ásia são porosas como esponjas, mas no caso de um país do grupo Schengen a permeabilidade é ainda maior. O litoral de 16 mil quilômetros e a condição de ligação entre Oriente e Ocidente fazem da Grécia a porta de trás da imigração ilegal na Europa. Enquanto os fluxos migratórios se reduzem na Espanha e na Itália, nas fronteiras gregas os números disparam: contra os 45 mil de 2004, em 2008 chegaram 146.337 emigrantes sem papéis, dos quais foram deportados pouco mais de 20 mil.

O governo da Nova Democracia (ND, de centro-direita) afirma estar tomando medidas, enquanto pede com insistência a ajuda de Bruxelas, mas o descontentamento popular - especialmente em alguns bairros de Atenas ou Patras, transformados pela imigração - alimenta o sucesso de um partido de ultra-direita até agora residual, o Laos, que em junho conseguiu dois deputados no Parlamento Europeu.

Os quatro centros de recepção temporária do país não conseguem abrigar os recém-chegados - sua capacidade funcional é de mil lugares -, por isso os demais, que permanecem na Grécia à espera de continuar viagem para outros pontos da Europa, acabam em um limbo jurídico e vital, como por exemplo os 600 sem-papéis que ocupam o antigo Tribunal de Apelações de Atenas. Outros mal sobrevivem à intempérie, como no acampamento do centro de Patras desmontado no último dia 12 pela polícia, em uma batida que motivou protestos das ONGs.

"Deixaram na rua centenas de imigrantes, na maioria afegãos. Agora nem sequer têm onde dormir. O acampamento funcionava há 12 anos com uma população flutuante de 1.200 pessoas. Patras é um lugar de saída. Os imigrantes não vêm para ficar, estão em trânsito; o que acontece é que este pode durar dias ou anos", diz Reveka Papadopulu, diretora geral da Médicos Sem Fronteiras - Grécia.

Afegãos, iraquianos, palestinos, paquistaneses; centenas de nativos do Chifre da África, como etíopes ou somalis. O novo rosto da imigração na Grécia revela duas coisas: o efeito saída de países mergulhados em guerras ou fome, e que as rotas organizadas da imigração ilegal sempre escolhem o caminho mais fácil. E a Grécia o é para qualquer afegão, por exemplo, disposto a pagar US$ 18 mil (cerca de R$ 36 mil) pela viagem.

Pela estrada até a Turquia, depois em barco até uma ilha do mar Egeu, dali ao continente e por fim, de Patras, em um barco ou pendurado dos eixos de um caminhão, até a Itália, Alemanha ou Suécia. "Não é um fenômeno novo, o que chama a atenção agora é sua magnitude", lembra Papadopulu.

De fato, a chegada de imigrantes asiáticos é a segunda onda migratória maciça que a Grécia recebe desde que, na década de 1990, o país se encheu de albaneses, a maioria regularizados agora e o bode-expiatório predileto dos gregos. A economia informal, que segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) representa 30% do PIB grego, é o sumidouro ao qual está destinada a maioria dos sem-papéis e outros em época de crise.

Ao cair da noite, os arredores da praça de Omonia, no centro de Atenas, se enchem de homens de "salwar kameez" (traje nacional afegão), de turbantes e lenços palestinos. Ninguém diria que a poucos quilômetros se ergue o Partenon ou o moderníssimo Museu da Acrópole. "A mudança de composição da população está provocando a guetização de alguns bairros e o aumento da sensação de alienação da população nativa. Os choques e confrontos entre os imigrantes e nativos ou entre diferentes grupos de imigrantes não são raros, especialmente no centro de Atenas", indica o especialista em imigração Ioannis Kolovos, do Instituto de Pesquisas para Estudos Europeus e Americanos.

Os incidentes que Kolovos cita representam votos de bandeja para as opções políticas mais extremas, em detrimento do partido no poder, que aprovou duas regularizações, em 2005 e 2007, assim como fez o governo socialista em 1997 e 2001.

Enquanto isso, o governo da ND tenta recuperar em marcha forçada o tempo perdido. O primeiro-ministro Kostas Karamanlis não se cansa de repetir que a luta contra a imigração ilegal é uma prioridade de seu governo. A Grécia acaba de assinar um novo acordo com a Frontex, agência da UE para a vigilância das fronteiras exteriores, para reforçar as patrulhas costeiras entre a Turquia e as ilhas do Egeu - especialmente Samos, Lesbos e Patmos -, o corredor por onde passam diariamente centenas de pessoas.

Saiba mais sobre imigração irregular





Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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