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24/07/2009

Expansão dos assentamentos israelenses preocupa Obama

El País
Juan Miguel Muñoz
Em Jerusalém (Israel)
Com ímpeto, Barack Obama pôs as cartas na mesa do governo israelense. Suas exigências sobre o congelamento da construção nas colônias israelenses da Cisjordânia são claras, e ele não aceita estratagemas para dilatá-la. Mas o chefe de governo, Binyamin "Bibi" Netanyahu, se aferra a táticas semelhantes às empregadas durante seu primeiro mandato (1996-1999).

Binyamin Netanyahu

  • David Silverman/AP
Depois de se anunciar em 2 de julho o plano para construir uma colônia judia em pleno coração da Jerusalém palestina e conseguir o rechaço do mundo inteiro - EUA, UE, Rússia, sem falar nos países árabes -, o primeiro-ministro lançou um desafio: "Em meu mandato anterior construí milhares de apartamentos em Har Homa [imediações de Belém], desafiando o mundo inteiro. É claro que não vou capitular agora, quando falamos de apenas 20 apartamentos".

Mas agora é diferente. "Os diplomatas americanos nos dizem: 'Conhecemos todos os truques de Bibi. Confiem em nós'", afirma um proeminente ativista israelense em contato permanente com as autoridades americanas.

O caminho acaba de começar e o desfecho é uma incógnita. Mas a atitude do governo Obama está muito distante da carta branca que George Bush ofereceu aos governos de Ariel Sharon e Ehud Olmert. "Um diplomata da embaixada americana em Tel Aviv se plantou na enorme colônia de Maale Adumim de GPS na mão. Queria comprovar se as autoridades israelenses diziam a verdade quando afirmavam que não estavam construindo. Tinha que ver com seus próprios olhos, e tirou as coordenadas exatas do lugar onde estavam sendo levantados edifícios", relata o ativista. Foi durante o mandato de Olmert. Nada aconteceu.

Hoje é diferente. Os diplomatas de Washington examinam todo o movimento. A tensão e a preocupação no Executivo de Netanyahu são palpáveis. O ministro da Fazenda, Yuval Steinitz, disse ontem que não via risco nas garantias dos créditos que os EUA concedem a Israel. Porque as escaramuças constantes começaram assim que estreou o governo de Netanyahu, quando a secretária de Estado Hillary Clinton visitou Jerusalém, em março. Só falou durante dois minutos na prefeitura e sua mensagem foi contundente: "Deter as demolições de casas palestinas" em Jerusalém Oriental. No dia seguinte, o consistório respondeu com a derrubada de uma residência. "Clinton ficou irritada e um de seus diplomatas telefonou para o prefeito Nir Barkat para espetá-lo: 'O senhor não escutou o que a secretária disse ontem'", conta o citado membro de uma ONG israelense.

Depois de três semanas sem demolições, as autoridades israelenses puseram em prática outra modalidade. Obrigam os próprios palestinos a derrubar suas casas. Do contrário são multados em milhares de euros. Outro truque. "Os americanos sabem que estão zombando deles e começam a pressionar mais. Por isso convocaram o embaixador em Washington na semana passada por causa do plano urbanístico de Jerusalém Oriental. É mais uma volta do parafuso."

De Paris - que ontem também citou o embaixador israelense pela mesma razão - Berlim, Moscou e Bruxelas se escuta uma linguagem diferente, mais dura. Raramente a UE emprega termos acusatórios tão explícitos contra Israel, ao qual exortou na terça-feira a "abster-se de toda provocação, incluindo as demolições de residências e despejos".

Porque as artimanhas são de diversas índoles. Netanyahu alega, para justificar o plano urbanístico na metade palestina, que os cidadãos de Jerusalém, tanto judeus quanto árabes, podem comprar residências e construir em qualquer lugar da cidade. Alguns editoriais da imprensa israelense chamaram de enganação essa afirmação. Como também discordam os especialistas na questão. A imensa maioria do território israelense, e Jerusalém Oriental, é propriedade de um órgão oficial: a Administração de Terras de Israel. O artigo 19 da lei que regulamenta esse organismo especifica que um estrangeiro não pode adquirir apartamentos em Israel. "Os não-judeus não podem comprar apartamentos, e isso inclui os palestinos de Jerusalém Oriental, que têm carteiras de identidade israelenses mas não são cidadãos do Estado", afirma um desses advogados.

Também não é previsível que os EUA vão engolir o anzol das negociações bilaterais, separadamente, com a Síria e os palestinos. A Casa Branca também luta em todas as frentes árabes, convencida de que a eventual solução para o conflito exige um acordo global. Não parece disposta a desmembrar as negociações em diferentes fóruns, como pretendeu Israel historicamente.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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